Stephen Miran, diretor do Federal Reserve (Fed), renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Assessores Econômicos (CEA) da Casa Branca. A informação foi divulgada pela Reuters, com base em declaração de um porta-voz do governo.
Miran estava em licença não remunerada do Conselho de Assessores Econômicos (CEA) desde que o presidente Donald Trump o indicou, no ano passado, para uma vaga na diretoria do Fed. Essa movimentação gerou especulações sobre a influência do ex-presidente na política monetária dos Estados Unidos.
A renúncia formaliza a saída de Miran do CEA, cumprindo uma promessa feita ao Senado. Ele havia se comprometido a deixar o conselho caso permanecesse em sua função no Fed após janeiro. A decisão pode ter implicações significativas para as futuras decisões sobre as taxas de juros.
Stephen Miran, em sua carta de renúncia, declarou que cumpriu seu compromisso com o Senado. Embora seu mandato no Conselho do Fed tenha expirado em janeiro, ele pode permanecer no cargo até que um sucessor seja confirmado pelo Senado, o que pode prolongar sua influência nas decisões do banco central.
Conforme informações divulgadas pela Reuters, a saída de Miran do CEA ocorre em um momento delicado. O nome dele foi aprovado pelo Senado em 15 de setembro, e desde então ele participou de quatro decisões sobre os juros nos EUA. Em uma delas, Miran foi o único a votar contra a decisão da maioria, defendendo um corte maior nas taxas.
Miran e a Busca por Cortes Maiores nos Juros
Em suas participações nas reuniões do Fed, Stephen Miran demonstrou consistentemente uma inclinação por cortes mais amplos nas taxas de juros. Essa postura estava alinhada com o desejo expresso por Donald Trump de reduzir os juros no país, buscando estimular a economia.
A divergência de Miran em relação à maioria de seus colegas em algumas decisões sobre juros evidencia uma linha de pensamento que pode desagradar a atuais ou futuras lideranças do Federal Reserve, especialmente se houver um esforço para manter a estabilidade ou aumentar as taxas.
Indicações de Trump e a Influência no Fed
A renúncia de Miran da Casa Branca ocorre em meio a um período de intensas movimentações políticas relacionadas ao Federal Reserve. Donald Trump tem se dedicado a indicar nomes alinhados à sua agenda econômica para a diretoria do banco central.
O ex-presidente já anunciou a indicação do economista Kevin Warsh para comandar a instituição a partir de maio, quando o mandato de Jerome Powell termina. A aprovação de Warsh pelo Senado ainda é necessária.
Disputa Judicial e Potencial Controle do Fed por Trump
Paralelamente, a Suprema Corte dos Estados Unidos analisa a tentativa de Donald Trump de demitir Lisa Cook do cargo de diretora do Fed. Uma decisão favorável a Trump nesta questão poderia garantir a ele ao menos três indicações para a diretoria do Fed.
Caso Trump consiga ter maioria de aliados no conselho do Fed, que possui sete membros, ele poderá exercer maior influência sobre as decisões de juros e as nomeações nos 12 bancos regionais do país. Essa potencial influência levanta debates sobre a autonomia do banco central.