EUA Começam a Vender Petróleo Venezuelano e Manterão Receitas em Contas nos Estados Unidos
Os Estados Unidos iniciaram nesta quarta-feira (7) a comercialização de petróleo venezuelano, anteriormente retido devido a sanções impostas pelo governo americano. Conforme divulgado pelo Departamento de Energia dos EUA, toda a receita gerada com a venda desses barris será inicialmente depositada em contas bancárias controladas pelos próprios Estados Unidos.
A decisão visa, segundo o Departamento de Energia, garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos. A expectativa é que esses fundos beneficiem tanto o povo americano quanto o povo venezuelano, embora a alocação final fique a critério do governo dos EUA.
A medida segue o anúncio feito pelo presidente Donald Trump na terça-feira (6), de que os EUA processariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano que estavam paralisados no país. As vendas, que começam imediatamente, não têm um prazo determinado para terminar.
A iniciativa ocorre em um contexto de tensões elevadas, poucos dias após uma ação militar americana na Venezuela que culminou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Durante essa operação, pelo menos 55 militares venezuelanos e cubanos teriam morrido.
Petróleo Vendido a Preço de Mercado com Controle Americano
Donald Trump afirmou que o petróleo venezuelano será comercializado ao preço de mercado. Ele também ressaltou que será o responsável por gerenciar o dinheiro obtido, assegurando que os recursos sejam empregados para o benefício tanto da Venezuela quanto dos Estados Unidos. O volume total de petróleo a ser entregue aos EUA equivale a aproximadamente dois meses da produção atual venezuelana.
Discussões e Bloqueio Histórico de Exportações
A possibilidade de exportação de petróleo bruto venezuelano para os Estados Unidos já vinha sendo discutida entre autoridades dos dois países, conforme revelado pela agência Reuters mais cedo. Desde dezembro, a Venezuela enfrentava dificuldades para exportar milhões de barris de petróleo, acumulados em navios e tanques de armazenamento, devido a um embargo imposto por Trump como parte da estratégia para pressionar a queda de Maduro.
Apreensão de Navios e Plano para o Setor Petrolífero Venezuelano
Em linha com essa estratégia, os EUA apreenderam nesta quarta-feira um petroleiro vazio, de bandeira russa e com conexões com a Venezuela, no Oceano Atlântico. A ação faz parte do plano americano para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e pressionar o governo socialista venezuelano. Logo após a prisão de Maduro no sábado, Trump expressou a intenção de abrir o setor petrolífero venezuelano para grandes empresas dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou Trump. As refinarias americanas na Costa do Golfo possuem capacidade para processar o tipo de petróleo pesado produzido na Venezuela, que antes das sanções eram importados em torno de 500 mil barris por dia.
Produção Venezuelana e Reunião com Executivos
Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta uma produção atual de cerca de 1 milhão de barris por dia, impactada pelas sanções e problemas de infraestrutura. Para discutir o tema, o governo americano planeja uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana, conforme informou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.