Pressão, falta de reconhecimento e exaustão emocional: a dura realidade do trabalhador brasileiro
A maioria dos trabalhadores no Brasil enfrenta um cenário de alta pressão e exigências crescentes no ambiente de trabalho. A sensação de pouco reconhecimento é generalizada, impactando diretamente o bem-estar e a saúde mental dos profissionais. Uma pesquisa recente revela um quadro preocupante sobre como os brasileiros se sentem em relação às suas carreiras.
O levantamento global Work Relationship Index, conduzido pela HP, trouxe dados alarmantes sobre a relação dos brasileiros com o trabalho. Apenas uma minoria se encontra em uma situação considerada ideal, enquanto um número significativo de profissionais vivencia um desgaste emocional cada vez maior.
Esses resultados refletem um descompasso entre as demandas impostas pelas empresas e as recompensas oferecidas, gerando insatisfação e a percepção de que o lucro é priorizado em detrimento do bem-estar dos colaboradores. A busca por um equilíbrio entre vida pessoal e profissional se torna, assim, um desafio ainda maior.
A pesquisa entrevistou mais de 1.300 brasileiros e faz parte de um estudo maior com 18.200 profissionais em 14 países. Os dados foram divulgados pela HP e detalham as percepções dos trabalhadores sobre seu dia a dia profissional.
A “Zona Crítica” do Desgaste Emocional Aumenta no Brasil
De acordo com o estudo da HP, apenas 29% dos profissionais brasileiros mantêm uma relação considerada saudável com o trabalho, posicionados na chamada “Zona Saudável”. O dado, no entanto, é superado por uma realidade mais sombria: a “Zona Crítica”, que engloba profissionais em profundo desgaste emocional, agora concentra 34% dos trabalhadores. Isso representa um aumento de 9% em relação ao ano anterior, sinalizando uma piora significativa no quadro geral.
Existe ainda a “Zona de Atenção”, um estágio intermediário onde os profissionais começam a apresentar os primeiros sinais de alerta e esgotamento. Essas categorias funcionam como uma autoavaliação, permitindo que os próprios trabalhadores mensurem como percebem sua conexão com as atividades laborais.
O Aumento das Exigências e a Busca por Flexibilidade
A pesquisa aponta que 71% dos brasileiros sentiram um aumento nas exigências e expectativas de suas empresas no último ano. Essa percepção de que o trabalho demanda mais, sem o devido retorno em forma de reconhecimento ou benefícios, contribui para o sentimento de insatisfação. Cerca de 39% dos entrevistados acreditam que as empresas priorizam o lucro em detrimento das pessoas, evidenciando um desequilíbrio nas relações corporativas.
O modelo de trabalho também é um ponto de tensão. Um expressivo número de profissionais, 68%, expressa o desejo de passar menos dias no escritório. Esse anseio por maior flexibilidade contrasta com as políticas de muitas organizações, que ainda mantêm modelos mais rígidos de trabalho presencial.
Tecnologia como Aliada, Mas com Desigualdades
Em meio a esse cenário desafiador, a tecnologia surge como uma ferramenta promissora para mitigar o desgaste no trabalho. A maioria dos profissionais reconhece que ferramentas digitais auxiliam na otimização do tempo, na organização de tarefas e no melhor equilíbrio das demandas diárias. Não por acaso, 88% dos brasileiros afirmam que a tecnologia melhora seu equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade no ambiente corporativo brasileiro, com 90% dos profissionais utilizando alguma forma de IA em suas atividades. Contudo, os benefícios não são distribuídos igualmente. O acesso e uso da IA são mais frequentes entre cargos de liderança, com 49% dos tomadores de decisão de TI utilizando a tecnologia diariamente, enquanto entre os trabalhadores de escritório, esse percentual cai para 25%.
Outro ponto de atenção é a capacitação. Em 2025, apenas 67% dos profissionais relatam que suas empresas oferecem treinamento adequado para o uso de IA, uma queda em relação aos 79% registrados na edição anterior da pesquisa. Apesar dessas limitações, o estudo da HP demonstra uma correlação direta entre o uso da IA e uma experiência de trabalho mais saudável, com 44% dos profissionais na “Zona Saudável” utilizando IA diariamente, contra um percentual menor entre os que estão na “Zona Crítica”.
Geração Z Lidera a Busca por Novos Modelos de Trabalho
O desgaste emocional é particularmente acentuado entre os mais jovens. A Geração Z se destaca na busca por novos modelos de trabalho, priorizando flexibilidade, autonomia e acesso à tecnologia acima do salário. Segundo o estudo, 90% desses jovens estariam dispostos a aceitar um salário menor em troca desses benefícios, sinalizando uma clara mudança de valores em relação às gerações anteriores.
Além disso, 57% dos jovens já possuem uma fonte de renda extra, uma estratégia para complementar ganhos e ter maior controle sobre o tempo. Esse movimento reflete tanto a pressão financeira quanto a tentativa de escapar de um modelo de trabalho considerado rígido e pouco recompensador. Por outro lado, a pesquisa indica que a convivência intergeracional pode ser benéfica, com profissionais das gerações X e Baby Boomers reconhecendo o valor da troca de conhecimentos, especialmente no aprendizado de novas ferramentas digitais e na adoção de práticas de trabalho mais colaborativas.