Demissão em Massa no Brasil: 61% dos Trabalhadores Planejam Trocar de Emprego em 2026 Buscando Salário e Crescimento

Profissionais brasileiros buscam novas oportunidades em massa, impulsionados por um mercado de trabalho mais favorável e pela busca por melhores condições.

A ideia de pedir demissão e buscar um novo emprego tem sido cada vez mais frequente entre os brasileiros. Uma pesquisa recente aponta que uma maioria significativa de profissionais já planeja essa mudança para 2026, refletindo um cenário de maior confiança no mercado formal.

Essa tendência explica o aumento na rotatividade de funcionários em empresas e o alto índice de pedidos de demissão. Com a economia mostrando sinais de recuperação e o desemprego em baixa, muitos trabalhadores se sentem encorajados a procurar salários mais altos, flexibilidade e perspectivas de crescimento na carreira.

Os dados oficiais confirmam essa confiança, com a taxa de desemprego atingindo seu menor patamar histórico. Esse contexto favorável, aliado a expectativas de crescimento econômico, fortalece a decisão de muitos em arriscar em busca de melhores condições profissionais.

Conforme informações da pesquisa da Robert Half e análise do economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, o mercado de trabalho brasileiro vive um momento de alta rotatividade. A taxa atingiu 52,6% em outubro, refletindo tanto um mercado aquecido quanto características estruturais da economia nacional.

Motivos para a Troca de Emprego: Salário e Crescimento no Topo

Entre os profissionais que pretendem mudar de empresa, a maioria, 72%, deseja permanecer na mesma área de atuação. Para esses, os principais atrativos são as melhores oportunidades de crescimento, com 45% dos votos, seguidas de perto pela busca por maior remuneração, citada por 42% dos entrevistados.

Novos desafios profissionais e a possibilidade de trabalhar em modelos remotos ou híbridos também aparecem como fatores importantes, ambos com 31%. Um pacote de benefícios mais atrativo é outro ponto de interesse, mencionado por 29% dos profissionais que buscam uma nova colocação.

O economista Bruno Imaizumi destaca que o peso do salário e das promoções no ranking é esperado. Ele afirma que “salário é reflexo de produtividade. Quem ganha menos tende a se sentir mais insatisfeito e a buscar alternativas”. Essa insatisfação muitas vezes não se resume apenas a questões financeiras.

Jovens e a Busca por Novas Experiências e Flexibilidade

No caso dos jovens, a decisão de pedir demissão está frequentemente ligada à busca por novas oportunidades e à falta de reconhecimento. Questões como estresse, saúde mental e pouca flexibilidade no trabalho também são fatores determinantes para essa faixa etária.

A idade se mostra um fator crucial, com os mais jovens, entre 18 e 24 anos, permanecendo em média apenas 12 meses no mesmo emprego. A rotatividade nessa faixa etária chegou a 96,2% em 2024, indicando um período de experimentação e menor apego à estabilidade no início da carreira profissional.

Curiosamente, apesar de profissionais com menor instrução relatarem maior insatisfação, são os mais qualificados que mais pedem demissão. Essa busca por novas experiências e reconhecimento é um diferencial para os profissionais mais jovens no mercado.

Transição de Carreira e o Foco em Qualidade de Vida

Para os que consideram uma transição de carreira, o fator financeiro se torna ainda mais proeminente, com 63% buscando maior remuneração. No entanto, a busca por mais qualidade de vida aparece em seguida, com 39%, seguida pela realização pessoal (29%) e pela vontade de aprender algo novo (27%).

A flexibilidade no trabalho é outro ponto valorizado, com 24% dos que buscam transição de carreira, e 18% visam migrar para carreiras consideradas em alta no mercado. Esses dados mostram um desejo crescente por um trabalho que ofereça não apenas sustento, mas também bem-estar e desenvolvimento pessoal.

O que Mantém o Profissional na Empresa? Benefícios e Flexibilidade são Chave

A pesquisa da Robert Half também revelou os fatores que levam um profissional a permanecer em sua empresa atual. O tripé é formado por benefícios e remuneração (52%), flexibilidade no modelo de trabalho (46%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%).

Um bom ambiente e cultura organizacional (31%) e oportunidades de crescimento (25%) também são importantes. A estabilidade, embora ainda relevante, aparece com 17%, mostrando que outros fatores ganham mais peso na decisão de permanência.

Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, reforça o papel das empresas na retenção de talentos. Ele aponta que “melhorar benefícios, qualidade de vida e ambiente de trabalho ajuda, mas o que vemos é um descasamento claro entre o que o trabalhador deseja e o que o empregador oferece”.

Para quem pensa em pedir demissão ou mudar de carreira, a recomendação dos especialistas é agir com cautela. Organizar o currículo, usar ferramentas digitais, ampliar a rede de contatos e avaliar oportunidades fora da região de residência são passos importantes para uma recolocação bem-sucedida e planejada.

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