Crise Energética Leva Cuba a Suspender Combustível para Aviões, Afetando Voos Internacionais
As autoridades cubanas anunciaram a suspensão do abastecimento de querosene de aviação no país a partir desta terça-feira (10), em decorrência de uma grave crise energética. Esta medida impacta diretamente os voos internacionais que utilizam a ilha, obrigando companhias aéreas a planejar “escalas técnicas” para reabastecimento em outras nações.
A decisão, comunicada a todas as companhias aéreas, estipula o fim do fornecimento de Jet Fuel a partir da meia-noite local de terça-feira. Enquanto os voos regionais devem manter sua operação normal, rotas de longa distância precisarão se adaptar a essa nova realidade logística.
A Air France, por exemplo, já informou que sua rota para Havana seguirá mantida, porém com uma escala técnica planejada em outro país caribenho. Essa adaptação se torna necessária diante da impossibilidade de reabastecimento em solo cubano, evidenciando a profundidade da crise energética que assola o país.
Conforme informação divulgada pelas companhias aéreas e autoridades cubanas, a escassez de combustível é resultado da interrupção do fornecimento de petróleo pela Venezuela, pressionada pelos Estados Unidos. Washington ameaça impor tarifas a países que continuarem a vender petróleo para Cuba, intensificando a pressão sobre a economia insular. O governo cubano implementou um pacote de medidas emergenciais para mitigar os efeitos, incluindo a redução da jornada de trabalho para quatro dias, incentivo ao trabalho remoto em órgãos públicos e estatais, e restrições na venda de combustíveis.
Medidas Emergenciais e Impactos Sociais em Cuba
Para enfrentar a crise energética, Cuba implementou uma série de medidas emergenciais que visam a economia de combustível. Entre elas, destacam-se a adoção da semana de trabalho de quatro dias, o incentivo ao trabalho remoto em repartições públicas e estatais, e a restrição na venda de combustíveis para a população. Serviços de transporte público, como ônibus e trens entre províncias, sofrerão reduções, e alguns estabelecimentos turísticos serão fechados temporariamente.
Nas instituições de ensino, as aulas terão duração reduzida, e as universidades operarão em regime semipresencial. O objetivo principal dessas ações é direcionar o combustível para a produção de alimentos e a geração de eletricidade, além de garantir a continuidade das atividades econômicas que geram divisas para o país, conforme declarado pelo vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga em pronunciamento na televisão estatal.
Pressão dos EUA e Reação Russa
A crise se intensificou após os Estados Unidos interromperem o envio de petróleo venezuelano para Cuba e, posteriormente, assinarem um decreto que permite a imposição de tarifas a países que vendam petróleo para a ilha. Washington justifica essa política alegando que Cuba representa uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos EUA, devido à sua proximidade geográfica. O governo cubano, por sua vez, acusa Donald Trump de tentar “asfixiar” sua economia, que já vinha sofrendo com apagões e escassez de combustível.
Em resposta à situação em Cuba, o Kremlin denunciou os “métodos” utilizados pelos Estados Unidos, descrevendo a situação na ilha como “crítica”. O porta-voz russo, Dmitri Peskov, lamentou as dificuldades impostas pelas ações americanas e afirmou que a Rússia mantém contato com as autoridades cubanas para discutir possíveis formas de assistência e soluções para os problemas enfrentados.
Aeroportos Cubanos Sem Querosene de Aviação
A suspensão do fornecimento de querosene de aviação em Cuba representa um desafio logístico significativo para a aviação civil. Companhias aéreas de longa distância terão que recalcular suas rotas e custos operacionais para acomodar as escalas técnicas necessárias para o reabastecimento. A medida, embora drástica, reflete a gravidade da crise energética que o país atravessa, impactando desde o transporte aéreo até o cotidiano da população.