Brasil registra menor saldo de empregos formais desde 2020, com 1,27 milhão de novas vagas em 2025.
O Brasil fechou o ano de 2025 com a criação de 1.279.498 novos empregos com carteira assinada, o menor resultado desde 2020, quando o país enfrentou os impactos iniciais da pandemia de Covid-19 e viu um saldo negativo de vagas formais. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Este número representa uma desaceleração significativa em comparação com anos anteriores. Em 2024, foram criados 1.677.575 empregos formais, enquanto em 2023 o saldo foi de 1.455.279. O ano de 2022 se destacou com a criação de 2.014.894 postos de trabalho, e em 2021, o número atingiu 2.782.295, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, explicou que o desempenho de 2025 foi influenciado principalmente pela política de juros altos no país. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, alcançou 15% ao ano, tornando o crédito mais caro e impactando a capacidade de investimento e expansão das empresas.
Marinho ressaltou que buscou dialogar com o Banco Central para alertar sobre a possibilidade de o cenário de juros elevados frear o ritmo de crescimento, embora não necessariamente leve a uma retração da economia. “Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”, afirmou o ministro.
Impacto dos juros e tarifas: uma análise do governo
O ministro também avaliou o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, minimizando sua influência em comparação com a elevação dos juros. “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço”, declarou Marinho.
Ele complementou que as ações do governo, incluindo a abertura de novos mercados pelo presidente Lula, ajudaram a amenizar os efeitos das tarifas, que atingiram segmentos específicos como madeira, móveis e calçados. “Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”, ponderou.
A principal dificuldade para o setor industrial, segundo técnicos do ministério, foi a **falta de liquidez**, resultante do alto custo de acesso ao crédito devido à política monetária restritiva. Isso afetou a capacidade de investimento e a geração de novas vagas de trabalho formal.
Setores da economia e o saldo de empregos em 2025
Apesar do saldo geral menor, os dados do Caged para 2025 indicam que a criação de empregos formais ocorreu em todos os cinco grandes setores da economia. O **ramo de serviços** liderou a geração de postos de trabalho, com um saldo de 758,3 mil novas vagas.
Em seguida, o **comércio** registrou a criação de 247,1 mil empregos formais. A **indústria** também contribuiu, com 144,3 mil novas vagas. Os setores de **construção civil** e **agropecuária** apresentaram os menores saldos na geração de empregos formais, com 87,9 mil e 41,9 mil postos, respectivamente.
O mês de dezembro de 2025 registrou o encerramento de 618,2 mil vagas formais, um aumento em relação a dezembro de 2024, quando foram encerrados 555,4 mil empregos com carteira assinada. Essa variação mensal também reflete as dinâmicas de contratação e demissão no final do ano.