Cotas de Carne Bovina na China e México: O Que Isso Significa Para o Brasil e os Preços no Seu Prato?

China e México impõem cotas à carne bovina: entenda o impacto para o Brasil e o consumidor

As recentes decisões da China e do México em estabelecer cotas para a importação de carne bovina geram expectativas e preocupações para o agronegócio brasileiro. O Brasil, maior exportador mundial, vê esses dois países como clientes importantes, e as novas regras podem influenciar o fluxo de exportações e, consequentemente, os preços internos da carne.

A China, principal destino da carne brasileira, implementou um limite de 1,1 milhão de toneladas com a tarifa atual de 12%. Volumes acima disso sofrerão uma sobretaxa de 55%. Já o México permitirá a importação de até 70 mil toneladas sem impostos, com uma tarifa de 20% para o que exceder esse limite. Até então, não havia tarifa para o México.

Essas mudanças levantam questões importantes sobre o futuro do mercado de carne bovina. Será que a oferta no Brasil aumentará, levando a uma queda nos preços para o consumidor? Ou os efeitos serão mais complexos, com a carne brasileira encontrando outros destinos?

A análise de economistas sugere que os preços da carne bovina no Brasil devem permanecer elevados em 2026. Diversos fatores contribuem para essa tendência, incluindo o ciclo pecuário, a demanda interna e a capacidade de outros mercados absorverem o volume que deixaria de ir para China e México, conforme informações divulgadas pelo g1.

Restrições chinesas: o principal ponto de atenção

A cota estabelecida pela China é a que mais preocupa os analistas. O país asiático, que comprou cerca de 1,6 milhão de toneladas de carne brasileira em 2025, busca equilibrar o crescimento das importações com o desenvolvimento de sua produção doméstica. Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/Esalq-USP, a cota chinesa aumentará gradualmente ao longo de três anos.

A decisão chinesa vem após uma investigação que apontou que o crescimento das importações estava superando o da produção local, o que incomodava os produtores chineses. No entanto, especialistas como Castro, do Itaú BBA, destacam que a produção bovina leva tempo para se tornar competitiva, o que pode gerar uma escassez de carne na China e, paradoxalmente, inflação no país asiático.

Outros países como Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos também possuem cotas de importação para a China, mas o Brasil detém o maior volume. A expectativa é que o governo brasileiro tente negociar para capturar parte das cotas de outros fornecedores, visto que a China definiu limites específicos para cada parceiro comercial.

México e a busca por diversificação de mercados

O México, por sua vez, tem uma dependência menor de importações de carne bovina, sendo um mercado mais ligado aos Estados Unidos. Contudo, o rebanho mexicano tem sofrido com a contaminação da bicheira do Novo Mundo, uma doença transmitida por moscas que afeta o gado vivo. Essa situação, preocupante também para os EUA, pode incentivar o México a diversificar seus fornecedores.

A suspensão recente de tarifas pelos Estados Unidos abre uma porta importante para a carne brasileira. O mercado americano, com preços ainda elevados e produção em queda – o menor rebanho desde a década de 1960, segundo Carvalho –, pode absorver parte do volume que seria destinado à China. Outros países como o Uruguai também podem aumentar suas compras do Brasil para suprir a demanda interna.

Preços da carne no Brasil devem seguir altos em 2026

Apesar das novas restrições e da possibilidade de realocação das exportações, a tendência para os preços da carne bovina no Brasil em 2026 é de manutenção elevada. Um dos principais motivos é o ciclo pecuário. Atualmente, o país está em uma fase de alta do ciclo, onde os pecuaristas tendem a reter as vacas para reprodução, esperando a valorização dos bezerros.

Isso resulta em uma menor oferta de animais para abate no curto prazo. Mesmo com a possibilidade de aumento das exportações no primeiro semestre para preencher as cotas, a oferta de bovinos tende a diminuir no segundo semestre, pressionando os preços para cima. A inflação da carne bovina no Brasil acumulava 5% de alta em 12 meses até novembro, segundo o IPCA.

Eventos como as eleições e a Copa do Mundo também podem impulsionar a demanda interna pela carne, contribuindo para a manutenção dos preços elevados. A busca por diversificar mercados e diminuir a dependência de grandes compradores como a China é vista como uma estratégia fundamental para a sustentabilidade do setor, segundo Carvalho.

A expectativa de abertura de novos mercados, como o Japão, é animadora, mas a cautela é a palavra de ordem. O Brasil negocia há 20 anos com o Japão, e a entrada nesse mercado tende a ser gradual. Ampliar o volume para mercados já existentes, como as Filipinas, e buscar novos destinos são caminhos considerados promissores pelos especialistas.

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