Correios Fecham Empréstimo de R$ 12 Bilhões com Bancos e União Garante Pagamento para Reforçar Caixa
Os Correios anunciaram a assinatura de um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco dos principais bancos do país. O acordo, fechado na última sexta-feira (26), visa injetar capital no caixa da estatal, que atravessa uma grave crise financeira.
Com a garantia da União, o governo federal assume o compromisso de honrar as parcelas do empréstimo caso os Correios não consigam honrar seus compromissos. Essa medida reduz o risco para as instituições financeiras e viabiliza a operação, que tem validade até 2040.
A operação foi autorizada pelo Tesouro Nacional na semana passada e faz parte de um plano de reestruturação da empresa, que acumula prejuízos há 12 trimestres consecutivos. O Tesouro Nacional destacou que o empréstimo respeitou os limites de juros e os critérios de capacidade de pagamento das estatais.
Conforme informação divulgada pela própria empresa, o empréstimo bilionário é um passo importante para a recuperação financeira dos Correios, que enfrentam dificuldades desde 2022. Apenas no primeiro semestre de 2025, o prejuízo registrado chegou a R$ 4,36 bilhões, o maior da história da estatal.
Fatores da Crise e Plano de Reestruturação
A crise enfrentada pelos Correios é multifatorial. Entre os principais motivos apontados estão o **forte aumento dos gastos com pessoal**, mudanças no programa Remessa Conforme que **reduziram receitas com encomendas internacionais**, e uma **queda acentuada no fluxo de caixa**. Além disso, o crescimento das despesas com precatórios, que são dívidas judiciais obrigatórias, e o fato de **85% das agências operarem no prejuízo** agravaram a situação.
Para reverter esse cenário, a nova gestão dos Correios implementou um plano de reestruturação. Este plano inclui medidas como corte de custos, um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a venda de imóveis ociosos, a **renegociação de contratos**, a redução da jornada de trabalho, mudanças nos planos de saúde, o retorno ao trabalho presencial e o lançamento de um marketplace próprio.
Privatização Descartada por Lula
Em meio às discussões sobre como socorrer a estatal, o debate sobre a privatização dos Correios ganhou força nos bastidores. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou veementemente qualquer possibilidade de venda da empresa pública.
Lula atribuiu as dificuldades financeiras a uma possível **“gestão equivocada”** e lamentou a crise, ressaltando a importância dos Correios para o país. “Uma empresa pública não pode ser a rainha do prejuízo”, afirmou o presidente, que anunciou a troca da presidência dos Correios e a implementação de medidas enérgicas com pessoas de comprovada competência.
Garantia da União e Taxa de Juros
O empréstimo de R$ 12 bilhões conta com a **garantia da União**, o que significa que o governo federal se responsabiliza pelo pagamento em caso de inadimplência dos Correios. Essa garantia foi um fator crucial para a aprovação do crédito pelas instituições financeiras.
Anteriormente, o Tesouro Nacional havia rejeitado uma proposta de R$ 20 bilhões, pois a taxa de juros oferecida (20% ao ano) ultrapassava o limite aceitável (até 18% ao ano) para operações com garantia da União. A nova operação, de R$ 12 bilhões, respeitou os critérios estabelecidos, garantindo condições mais favoráveis para a recuperação financeira da empresa.