Coreia do Sul negocia com EUA para evitar tarifas sobre chips e proteger Samsung e SK Hynix de desvantagens

Coreia do Sul pressiona EUA por tarifas mais brandas em chips, mirando proteção para suas gigantes tecnológicas

A Coreia do Sul expressou neste domingo (18) sua intenção de negociar termos favoráveis junto aos Estados Unidos em relação às tarifas impostas sobre a importação de chips de memória. A medida visa garantir que o país não sofra desvantagens competitivas frente a outras nações. A declaração foi feita por um porta-voz do gabinete presidencial em uma coletiva de imprensa televisionada.

A preocupação sul-coreana surge após o anúncio de novas tarifas por parte do governo americano, que podem impactar diretamente a indústria de semicondutores do país. A Coreia do Sul busca reafirmar um acordo comercial anterior com os EUA, que prometia tratamento não desfavorável em relação a tarifas sobre chips importados.

O ministro do Comércio sul-coreano já havia afirmado no sábado (17) que o impacto das tarifas americanas sobre chips avançados de computação seria limitado para as empresas do país. No entanto, o governo agora intensifica os esforços diplomáticos para assegurar que os acordos pré-existentes sejam respeitados, especialmente considerando a importância estratégica de empresas como Samsung Electronics e SK Hynix, líderes globais na produção de chips de memória.

Conforme informação divulgada pela agência de notícias Reuters, o país busca evitar que a nova política tarifária americana crie barreiras injustas para seus produtos, mantendo a competitividade em um mercado global cada vez mais acirrado. A negociação se insere em um contexto de acordos comerciais mais amplos entre as duas nações.

Acordo Comercial de 2025 e promessas de investimento

Em outubro de 2025, um acordo comercial entre Washington e Seul foi anunciado pelo então presidente Donald Trump. Este pacto gerou otimismo na economia sul-coreana, fortemente dependente do comércio exterior, e impulsionou a valorização da moeda local, o won, frente ao dólar. Trump celebrou o acordo como um sucesso, destacando a redução de incertezas econômicas.

O assessor presidencial sul-coreano da época, Kim Yong-beom, detalhou que o acordo previa a redução de tarifas sobre automóveis e compromissos significativos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. As tarifas de ambos os países sobre veículos automotores, por exemplo, seriam reduzidas para 15%.

Além disso, o pacote incluía um ambicioso plano de investimentos sul-coreanos nos EUA, totalizando US$ 350 bilhões. Deste montante, US$ 200 bilhões seriam em aportes diretos e outros US$ 150 bilhões destinados à cooperação no setor de construção naval. Sem esse acordo, montadoras e siderúrgicas sul-coreanas poderiam enfrentar tarifas de 25%, uma desvantagem considerável em comparação a concorrentes japoneses.

Divergências e o futuro das tarifas de chips

Apesar do anúncio do acordo comercial, autoridades sul-coreanas admitiram que ainda existiam divergências importantes, especialmente na parte financeira do pacote de investimentos. Seul buscava renegociar o montante total, ampliando a participação de empréstimos e garantias em detrimento de aportes diretos.

A atual negociação sobre as tarifas de chips de memória se insere nesse cenário, com a Coreia do Sul trabalhando ativamente para garantir que os benefícios do acordo de 2025 se estendam à proteção de sua indústria de semicondutores. A meta é manter a posição de destaque de empresas como a Samsung e a SK Hynix no mercado global, evitando que barreiras tarifárias prejudiquem suas operações e competitividade internacional.

O governo sul-coreano reafirma seu compromisso em buscar um diálogo construtivo com os Estados Unidos, visando um entendimento mútuo que beneficie ambas as economias e fortaleça as relações bilaterais, especialmente em setores de alta tecnologia como o de semicondutores.

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