Empresário Industrial Brasileiro Vive o Pior Janeiro em Uma Década, Aponta CNI
A confiança do empresário industrial brasileiro registrou o pior desempenho para o mês de janeiro em dez anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) fechou o período com 48,5 pontos, um resultado que, apesar de uma leve alta de 0,5 ponto em relação ao mês anterior, ainda se mantém abaixo da marca de 50 pontos, indicando pessimismo no setor. Este é o pior resultado para janeiro desde 2016, ano marcado por forte recessão econômica no país.
A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ouviu 1.058 empresas de diferentes portes entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026. O cenário de desconfiança é atribuído principalmente à alta taxa de juros, que tem impactado diretamente a atividade econômica e o planejamento das empresas. A elevação da taxa Selic, iniciada no final de 2024, tem sido sentida de forma contundente no bolso de consumidores e empresários.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explicou que a baixa confiança tem sido uma constante desde o início do ano passado. “À medida que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, afirmou Azevedo. A taxa Selic, que serve de referência para o mercado financeiro, está atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, um reflexo das ações do Banco Central para controlar a inflação.
Apesar do quadro geral de desconfiança, a pesquisa revela nuances importantes. O índice de condições atuais da economia, que avalia a percepção sobre o cenário atual, subiu 0,2 ponto, alcançando 44 pontos. No entanto, este valor ainda demonstra que os empresários consideram a economia e seus próprios negócios piores do que há seis meses. A expectativa, contudo, apresentou um movimento positivo.
Expectativas Tímidas de Melhora em Meio a Cenário Adverso
O Índice de Expectativas, outro componente crucial do ICEI, apresentou uma alta de 0,7 ponto, saindo de 50 pontos para 50,7 pontos. Este avanço sinaliza que os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. É um respiro em meio a um panorama desafiador, indicando uma esperança cautelosa para o futuro próximo.
Contudo, a CNI ressalta que este otimismo é impulsionado principalmente pela expectativa positiva em relação ao desempenho das próprias empresas. Em contrapartida, as perspectivas para a economia em geral se tornaram ainda mais negativas, demonstrando uma dicotomia entre a visão microeconômica e a macroeconômica. A confiança do empresário industrial, portanto, segue sob forte pressão.
Juros Altos, o Principal Vilão da Confiança Empresarial
A taxa básica de juros, a Selic, permanece como o principal fator de desânimo para o setor industrial. Com o custo do crédito elevado, o investimento em produção, expansão e inovação torna-se mais arriscado e menos atrativo. Empresas, especialmente as de menor porte, sentem o impacto de forma mais acentuada, tendo dificuldade em acessar financiamentos e gerenciar suas despesas operacionais.
A alta da Selic, embora necessária para o controle inflacionário, gera um efeito colateral significativo na atividade econômica. A redução do consumo e a desaceleração da produção industrial são consequências diretas, alimentando um ciclo de baixa confiança e incerteza. O empresário, diante deste cenário, tende a adiar decisões de investimento e a manter uma postura mais conservadora em sua gestão.