BRB tem prazo apertado para apresentar plano ao Banco Central e recompor balanço em R$ 5 bilhões
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma corrida contra o tempo para apresentar ao Banco Central um plano detalhado que visa recompor seu balanço em, no mínimo, R$ 5 bilhões. A exigência do BC é para garantir a robustez e a solidez financeira da instituição, evitando qualquer abalo na confiança do mercado.
O prazo final para a entrega deste plano de ação é a próxima sexta-feira, dia 5. Uma vez aprovado pelo Banco Central, o BRB terá um período de até seis meses para executar as medidas propostas e efetivamente reforçar seu capital.
A necessidade dessa intervenção surge após o BRB ter adquirido, desde o final de 2024, carteiras de crédito volumosas do Banco Master. A situação se complicou quando veio à tona que essas mesmas carteiras haviam sido compradas pelo Master por um valor significativamente inferior ao que foi repassado ao BRB.
Pior ainda, o Banco Master não chegou a pagar integralmente pelos créditos antes de revendê-los ao BRB, recebendo à vista na transação. Essas inconsistências geraram fragilidades no balanço patrimonial do banco público, conforme apurado por técnicos ouvidos pelo g1 e pela TV Globo.
Operações com Banco Master levantam suspeitas e abalam balanço do BRB
As operações de aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB, que totalizaram R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025, estão sob escrutínio. O Ministério Público já identificou indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, com cerca de R$ 12 bilhões destinados a carteiras de crédito consideradas de alto risco e sem garantias financeiras adequadas.
O Banco Master, por sua vez, foi liquidado em novembro pelo Banco Central devido a uma profunda crise de liquidez, indicando incapacidade de honrar seus compromissos financeiros. A tentativa do BRB de adquirir boa parte do Master, inclusive com apoio público do governo do Distrito Federal, foi barrada pela autoridade monetária.
Governo do DF garante solidez, mas reforço de capital é crucial
Apesar das preocupações com o balanço, fontes técnicas ouvidas pelo g1 e pela TV Globo descartam qualquer risco de falência ou liquidação do BRB. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o governo do Distrito Federal ser o acionista controlador do banco, detendo 71,92% do capital e possuindo patrimônio suficiente para oferecer suporte financeiro à instituição.
No entanto, o reforço de capital é considerado essencial para que o BRB continue a cumprir as rigorosas regras de solidez e segurança exigidas pela legislação brasileira para todo o sistema bancário. Manter a credibilidade no mercado é um objetivo primordial.
Entenda o caso: a linha do tempo e os valores envolvidos
A complexa situação teve seu início com a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. A controvérsia se intensificou quando se descobriu que o Master revendeu esses ativos por um valor muito superior ao que ele próprio havia pago, e sem ter quitado integralmente a compra inicial.
O Banco Master, que operou sob forte suspeita de irregularidades, acabou sendo liquidado pelo Banco Central. O BRB, por sua vez, precisa agora demonstrar ao BC, até o final desta semana, um plano concreto para sanar as fragilidades identificadas em seu balanço patrimonial, assegurando a estabilidade e a confiança no setor financeiro.