O Brasil se destaca globalmente na gestão de suas bases de dados, um ativo estratégico que impulsiona a eficiência e a inovação, especialmente no campo da Inteligência Artificial (IA). A integração de sistemas públicos, como a Infraestrutura Nacional de Dados (IND) e a Carteira de Identidade Nacional, permite respostas mais rápidas e eficientes para a população. Essas bases de dados não são apenas um registro, mas um pilar para o desenvolvimento de novas tecnologias e para o aprimoramento de serviços públicos.
Segundo Valadares, diretor do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o país tem um potencial imenso em suas bases de dados. A meta é utilizá-las de forma estratégica, inclusive para o treinamento de modelos de Inteligência Artificial. Essa iniciativa visa capacitar o país a gerar inferências e desenvolver soluções inovadoras a partir das informações já disponíveis.
A aplicação da IA no serviço público já é uma realidade em diversas áreas. O Judiciário e a área da Saúde já utilizam a tecnologia para combater fraudes, como no caso do SUS, e para agilizar o pagamento de reembolsos de procedimentos médicos. Um exemplo concreto é o desenvolvimento inicial de um prontuário médico automático no Ministério da Saúde, que promete revolucionar o atendimento.
Apesar dos avanços significativos, o Brasil enfrenta um desafio considerável na formação de profissionais especializados em IA. Estima-se a necessidade de formar cerca de 40 mil especialistas por ano para suprir a demanda atual. O Plano Brasileiro de IA (PBIA) atua em duas frentes para mitigar esse gargalo: investindo na formação de mão de obra qualificada em universidades e na requalificação de profissionais já atuantes, incluindo professores da educação básica.
Investimento em IA: Realidade e Desafios
O governo federal já destinou parte dos R$ 23 bilhões previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). No entanto, Valadares ressalta que este montante, embora significativo, não será suficiente para competir em pé de igualdade com potências como China e Estados Unidos, que investem centenas de bilhões de dólares na área. O Brasil precisa jogar conforme suas possibilidades, focando em nichos e estratégias que maximizem seu potencial.
Os Estados Unidos e a China operam em um patamar tecnológico e financeiro que torna a disputa direta inviável. Valadares compara a situação a uma “Champions League”, onde apenas esses dois países disputam sozinhos, sem a capacidade nem mesmo da Europa de competir no mesmo nível. A comparação abrange a quantidade de pessoas, engenheiros, poder computacional e a capacidade de aquisição de máquinas.
Supercomputador para IA: Um Marco em 2026
Um dos carros-chefe do PBIA é a implantação de um supercomputador dedicado à inteligência artificial, com previsão de funcionamento ainda em 2026. Para concretizar essa infraestrutura, que promete estar entre as cinco mais potentes do mundo, foi reservado um investimento de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é que a máquina esteja operacional ainda no ano de sua entrega.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) tem um horizonte de ação de pouco mais de quatro anos, com metas claras para inserir o Brasil no cenário global de tecnologia de máquinas inteligentes. A curta duração do plano reflete o cenário real de recursos disponíveis no ciclo de governo atual, e a continuidade de suas ações dependerá da priorização do tema por gestões futuras.
Valadares enfatiza que o lançamento do plano já representa um passo importante, demonstrando o desejo do Brasil de participar ativamente desse jogo tecnológico, de acordo com sua capacidade econômica e potencial de formação de pessoas. O país, décima economia mundial, possui um ecossistema de formação de pessoas muito relevante, com excelentes mestres, doutores e universidades de ponta, além de programas de pós-graduação pungentes.
O Brasil entra nesse jogo para competir onde lhe cabe, aproveitando seu potencial e seus recursos. A estratégia é clara: focar em áreas onde o país pode se destacar e construir uma posição sólida no desenvolvimento e aplicação da inteligência artificial, aproveitando a força de sua base de dados e a qualidade de sua formação acadêmica.