Brasil Investe Bilhões em IA, Mas Fica Longe da “Champions League” Tecnológica de EUA e China

Brasil destina R$ 6 bilhões para inovação em IA e planeja supercomputador de ponta, mas reconhece distância para EUA e China no cenário global.

O Brasil está traçando um caminho ambicioso no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), com investimentos significativos e planos para infraestrutura de ponta. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê a destinação de R$ 6 bilhões para a inovação em empresas e a capacitação de 140 mil profissionais na área de tecnologia. O país também planeja a atualização do supercomputador Santos Dumont e a construção de uma nova máquina dedicada à IA, com expectativa de estar entre as cinco mais potentes do mundo até 2026, um investimento de R$ 1,8 bilhão.

Essas iniciativas, que envolvem mais de 20 ministérios, visam impulsionar a formação de talentos, com aportes em órgãos como o CNPq e a Capes, além de investimentos em inovação via Finep. Um projeto de destaque é o Inspire, que recebeu R$ 390 milhões para modernizar a infraestrutura nacional de dados, preparando o terreno para o desenvolvimento ágil de aplicações de IA.

No entanto, o diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do MCTI, Hugo Valadares, reconhece que o Brasil não disputará de igual para igual com potências como Estados Unidos e China na “Champions League” da IA. Ele explica que esses países possuem um poder tecnológico e financeiro incomparáveis, com ecossistemas vastos em termos de pessoas, engenheiros e capacidade computacional, além de um poder de aquisição de máquinas que o Brasil não consegue igualar no momento.

Apesar da distância para o pódio global, Valadares ressalta que o Brasil não está na “terceira divisão” tecnológica. Ele afirma que o país está no quartil superior do desenvolvimento tecnológico mundial e pode avançar rapidamente para garantir seu espaço no jogo global da IA, mesmo que não alcance a elite. “A gente tem que criar as capacidades, andar o mais rápido que a gente conseguir, de maneira que a gente consiga participar desse jogo global, seja a série que seja, A ou B. Mas não acho que é a C”, declara.

Estratégia realista para um cenário competitivo

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) foi concebido com um horizonte de ação curto, de pouco mais de quatro anos. Essa temporalidade reflete o cenário real de recursos disponíveis no atual ciclo de governo. A continuidade das ações e metas depende de gestões futuras manterem a IA como prioridade. A estratégia é “jogar o jogo que lhe cabe”, alinhada à economia e ao potencial de formação de pessoas do Brasil.

Investimentos e projetos em andamento

O aporte de recursos brasileiros em IA se compara aos investimentos de países como França, Inglaterra e Alemanha, na ordem de US$ 5 a US$ 6 bilhões. O lançamento do plano já é visto como um passo adiante, demonstrando o interesse do Brasil em participar ativamente do cenário global de tecnologia. O país se apoia em seu importante ecossistema de formação de pessoas, com mestres e doutores de excelência e programas de pós-graduação relevantes.

Supercomputador de IA: um marco para 2026

Uma das principais apostas do PBIA é a criação de um supercomputador dedicado à inteligência artificial, com previsão de funcionamento ainda em 2026. Este projeto, orçado em R$ 1,8 bilhão, tem o objetivo de posicionar a infraestrutura brasileira entre as cinco mais potentes do mundo. A expectativa é que a máquina esteja operacional ainda no ano de sua conclusão, impulsionando a capacidade nacional em pesquisa e desenvolvimento de IA.

O Brasil no mapa da tecnologia de máquinas inteligentes

O diretor Hugo Valadares enfatiza que, mesmo sem competir diretamente com as superpotências, o Brasil está em uma posição de destaque no desenvolvimento tecnológico. A meta é avançar rapidamente, criando as capacidades necessárias para participar do jogo global da IA. O país busca consolidar sua posição no quartil superior de nações com maior desenvolvimento tecnológico, demonstrando que é possível competir em um nível estratégico, de acordo com suas próprias forças e potencialidades.

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