Apex Brasil intensifica promoção do país na Europa em meio a impasse do acordo Mercosul-UE
Em uma estratégia audaciosa para reverter o cenário de incerteza em torno do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou o lançamento de uma campanha focada em reabilitar a imagem do Brasil no continente europeu. A iniciativa visa combater percepções negativas e apresentar o país como um parceiro confiável e atraente para negócios.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, declarou que a agência empreenderá viagens de sensibilização com o objetivo de dialogar diretamente com empresários europeus. A meta é desmistificar a imagem do Brasil, afastando a ideia de que o país seria um “bicho-papão”, conforme suas próprias palavras. Essa abordagem proativa surge em um momento crucial, após o Parlamento Europeu decidir encaminhar o texto do acordo para análise jurídica.
Em paralelo, Viana confirmou conversas com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, sobre a possibilidade de uma visita conjunta ao Parlamento Europeu. A ideia é estender essa articulação às casas legislativas dos países membros do Mercosul, buscando um alinhamento político e a priorização da aprovação do acordo. Alcolumbre teria sinalizado que a ratificação do acordo será tratada como prioridade ao retorno dos trabalhos legislativos.
Jorge Viana classificou a decisão do Parlamento Europeu como uma “manobra política”, embora reconheça sua legitimidade dentro dos processos democráticos. “Tentaram uma vez, tentaram outra e agora conseguiram, com números muito pequenos de diferença, em uma operação que faz parte do jogo da política”, explicou Viana em coletiva de imprensa em Brasília, reforçando que a Apex Brasil “vai fazer a sua parte” através do diálogo estratégico.
Oportunidades de exportação impulsionadas pelo acordo
Um levantamento recente da ApexBrasil aponta um potencial expressivo para o aumento das exportações brasileiras com a entrada em vigor do acordo. O estudo identificou oportunidades de redução ou eliminação tarifária em 25 dos 27 países da União Europeia, abrangendo 543 produtos. Esses itens representam um volume anual de importações europeias de aproximadamente US$ 43,9 bilhões.
Dentre as oportunidades mapeadas, 244 produtos são classificados como de “abertura”, indicando mercados onde o Brasil ainda não possui forte presença, mas demonstra alta competitividade global. Isso inclui setores como máquinas e equipamentos de transporte, com destaque para motores, autopeças e componentes aeronáuticos. O setor de obras diversas, englobando calçados e joias, também se beneficia.
Diversificação de produtos e setores estratégicos
O estudo da ApexBrasil também sinaliza um futuro promissor para artigos manufaturados, como couros, peles, embalagens de madeira e artefatos de pedras naturais, além de produtos químicos como óleos essenciais cítricos e amálgamas de metais preciosos. Materiais em bruto, como sementes para plantio e farinha de soja, e óleos vegetais, como o óleo de milho bruto, também surgem como áreas com grande potencial.
No agronegócio, as perspectivas são igualmente animadoras. O acordo prevê cotas negociadas para carnes bovinas, de aves e suínas, além de açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça. A eliminação total de tarifas para frutas como abacate, limão, melão, melancia, uva de mesa e maçã reforça o papel do Brasil como um importante fornecedor global de alimentos.
Otimismo quanto à entrada em vigor do acordo
Apesar do revés no Parlamento Europeu, Jorge Viana demonstra otimismo quanto à possibilidade de o acordo Mercosul-UE entrar em vigor ainda em 2026, mesmo que de forma provisória. Ele reconhece a complexidade da questão, admitindo que a entrada em vigor precária pode gerar insegurança jurídica, mas acredita na busca por soluções. A Apex Brasil, munida de dados concretos e focada no diálogo, está preparada para apresentar os benefícios tangíveis do acordo para a economia europeia e brasileira.