ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas, com novas exigências de segurança
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu sinal verde para a Petrobras retomar a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas. A atividade havia sido suspensa no início do ano devido a um vazamento de fluido de perfuração, conhecido popularmente como “lama”.
A decisão, oficializada em documento visto pela Reuters, considera as análises técnicas e as medidas mitigadoras propostas pela estatal. A ANP afirmou que, após as avaliações, “concluiu-se não haver óbice ao retorno das atividades de perfuração”.
No entanto, a Petrobras foi notificada de que a retomada está condicionada à adoção de novas medidas. Entre elas, a troca de todos os elementos de vedação nas conexões da tubulação e o treinamento específico para todos os trabalhadores envolvidos no procedimento. A segurança e a prevenção de novos incidentes são o foco principal da agência reguladora.
Conforme divulgado pela Reuters, a paralisação ocorreu em 6 de janeiro, quando a Petrobras identificou a perda de fluido em duas linhas auxiliares. Essas tubulações de apoio conectam o navio-sonda ao poço Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. A estatal garantiu que o vazamento foi imediatamente contido e isolado, e que não houve derramamento de petróleo.
O que é o fluido de perfuração e por que ele vazou?
O material liberado foi o fluido de perfuração, também chamado de “lama”. Este composto é essencial no processo de perfuração, pois atua no resfriamento da broca, na remoção de fragmentos de rocha e no controle da pressão do poço. É um fluido à base de água com aditivos de baixa toxicidade, comum em operações marítimas.
A Petrobras, em nota divulgada na época do incidente, assegurou que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. A companhia enfatizou que o fluido atende aos limites de toxicidade permitidos, é biodegradável e não representa risco ao meio ambiente ou à população.
Potencial da Margem Equatorial e críticas ambientais
A atividade de perfuração na região da Foz do Amazonas é um ponto de debate intenso. Ambientalistas criticam veementemente a exploração, enquanto especialistas em petróleo destacam a importância estratégica da área para a produção energética do país. A Margem Equatorial brasileira é vista como uma nova fronteira promissora para a descoberta de petróleo e gás.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a Margem Equatorial teria potencial para reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente, superando a capacidade de campos como Tupi e Búzios na Bacia de Santos. O governo estima que a região possa conter até 10 bilhões de barris de petróleo, o que seria suficiente para suprir a demanda nacional por anos.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possua um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente, conforme estudo dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras. A perfuração em questão ocorre no bloco FZA-M-059, em águas profundas, a cerca de 175 km da costa do Amapá.
Fase exploratória e expectativas futuras
É importante ressaltar que, nesta fase, a operação se concentra exclusivamente na pesquisa exploratória, com o objetivo de coletar dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial. Não há produção de petróleo nesta etapa. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses, e seus resultados concretos serão observados após esse período.
Apesar de ser uma fase de pesquisa, a continuidade das atividades é vista como um avanço para a exploração na região, que gera expectativas quanto ao futuro energético do Brasil e ao potencial de novas descobertas significativas na Margem Equatorial.