A crise global na produção de chips de memória RAM, essencial para o funcionamento de uma vasta gama de dispositivos eletrônicos, já aponta para um futuro onde celulares, TVs e eletrodomésticos podem se tornar significativamente mais caros. A escassez desses componentes, agravada pela priorização de fabricação para sistemas de Inteligência Artificial, tem elevado os custos de produção e levanta preocupações sobre o impacto no bolso do consumidor.
Especialistas já alertavam para essa possibilidade, e agora, a própria Samsung, uma gigante no mercado de eletrônicos, confirma a tendência. TM Roh, CEO da empresa, declarou que o aumento nos preços de produtos como telefones celulares e televisores é, em sua visão, “inevitável”.
A situação se deve, em grande parte, ao redirecionamento da indústria de semicondutores para o desenvolvimento e produção de chips mais avançados, necessários para os data centers que impulsionam a Inteligência Artificial. Essa mudança de foco reduz a oferta de memórias RAM tradicionais, essenciais para os eletrônicos do dia a dia.
Conforme informação divulgada pela Reuters e repercutida por portais como o g1, o executivo da Samsung admitiu que a crise é sem precedentes e nenhuma empresa está imune aos seus efeitos. Apesar de trabalhar em estratégias de longo prazo com seus parceiros para mitigar os impactos, a expectativa é de que os preços sofram, sim, alguma alteração. Acompanhe os detalhes dessa crise que pode impactar diretamente o seu próximo aparelho eletrônico.
Entendendo a Memória RAM e a Crise Atual
A memória RAM, ou Random Access Memory, funciona como um espaço de trabalho temporário para os dispositivos. Ela armazena os dados que o aparelho está utilizando ativamente, como um aplicativo aberto ou um jogo em execução. Ao desligar o aparelho, essas informações são apagadas, caracterizando-a como uma memória de curto prazo. A capacidade da RAM, medida em Gigabytes (GB), influencia diretamente o desempenho do dispositivo, permitindo a execução simultânea de mais tarefas.
Embora mais conhecida por sua presença em smartphones e computadores, a memória RAM é um componente fundamental em uma variedade de outros aparelhos, incluindo smart TVs, consoles de videogames, tablets, relógios inteligentes e até mesmo em carros modernos e impressoras. A escassez deste componente, portanto, tem um alcance amplo no mercado de eletrônicos.
Inteligência Artificial: O Fator Determinante na Falta de Chips
O avanço acelerado da Inteligência Artificial é apontado como o principal motor da atual crise de chips. Fabricantes de semicondutores têm direcionado investimentos e linhas de produção para chips de alta performance, necessários para os data centers que processam as complexas tarefas de IA. Essa priorização, segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, reduz a disponibilidade de memórias RAM mais comuns, que são menos lucrativas para os fabricantes.
Vizaco explica que a produção de modelos mais antigos de memória RAM diminuiu consideravelmente, levando a uma queda nos estoques. Essa redução na oferta, combinada com a demanda contínua, tem um efeito direto nos preços. Especialistas apontam que a escassez pode levar as empresas a vender produtos com configurações de memória inferiores ao ideal ou, mais preocupante, a um aumento generalizado nos preços dos dispositivos.
Preços Já em Alta e Projeções para o Futuro
O impacto no preço da memória RAM já é visível. Uma pesquisa realizada pelo g1 mostrou que o valor de um módulo de memória RAM DDR4 de 16 GB da Corsair Vengeance RGB Pro saltou de R$ 650 em novembro para R$ 1.599 em dezembro, um aumento de aproximadamente 146%. No Brasil, fatores como a variação cambial, impostos e custos logísticos podem agravar ainda mais essa alta, conforme aponta Márcio Andrey Teixeira, professor do IFSP e membro do IEEE.
Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil e membro da Abinee, ressaltou em um evento da associação que setores como tecnologia e automotivo podem sentir esses impactos de forma mais acentuada, especialmente a partir de 2026. Ele diferencia a crise atual de escassezes pontuais do passado, ligadas a problemas de produção, destacando que o cenário atual é impulsionado pela IA.
Incerteza e Longo Prazo: O Cenário da Crise de Chips
A duração da crise de chips de memória RAM ainda é uma incógnita, com projeções que variam. A SK Hynix, outra importante fabricante sul-coreana de chips, indicou a analistas que a escassez pode se estender até o final de 2027, segundo informações da Reuters. Um executivo do setor, que preferiu não se identificar, mencionou que o problema pode até mesmo atrasar o lançamento de futuros projetos de data centers.
Paulo Vizaco, da Kingston, enfatiza que o cenário é muito novo e dinâmico, com o rápido crescimento da IA e o aumento da demanda. Ele ressalta a importância de acompanhar o mercado de perto. A Kingston, por exemplo, está focada em estratégias de longo prazo para minimizar esses problemas e manter o abastecimento no Brasil o mais estável possível durante este período de incertezas.