Deepfakes e desinformação criada por IA explodem em 2025, com impacto político alarmante
A quantidade de conteúdos falsos produzidos com o uso de inteligência artificial (IA) mais do que triplicou entre 2024 e 2025. Este aumento expressivo representa uma mudança significativa no ecossistema da desinformação, com a IA se tornando uma ferramenta cada vez mais sofisticada e disseminada.
Em 2024, a Agência Lupa registrou 39 casos de conteúdos falsos gerados por IA, o que correspondia a 4,6% do total de checagens. Já em 2025, esse número saltou para 159 casos, representando 25% de todas as verificações realizadas pela agência, um crescimento de 120 ocorrências.
Essa escalada na produção de desinformação artificial levanta preocupações sobre a integridade da informação e a manipulação da opinião pública, especialmente em períodos eleitorais e em relação à imagem de personalidades.
A pesquisa do Observatório Lupa, divulgada recentemente, aponta para uma nova fase no uso dessas tecnologias. Conforme informação divulgada pelo Observatório Lupa, a IA deixou de ser utilizada majoritariamente para golpes digitais e passou a ser uma arma política estratégica.
Mudança Estratégica: Da Fraude Digital à Guerra Política com IA
Em 2024, o uso da IA para a criação de desinformação concentrava-se principalmente em golpes digitais. Um exemplo comum eram os deepfakes de famosos, usados para promover sites fraudulentos e enganar usuários. A tecnologia, que permite alterar rostos e vozes em vídeos, era empregada para simular endossos e criar uma falsa sensação de credibilidade.
No entanto, a análise para 2025 revela uma mudança drástica nesse cenário. A inteligência artificial passou a ser utilizada de forma mais estratégica como uma arma política. Quase 45% dos conteúdos com IA detectados em 2025 possuíam viés ideológico, um aumento considerável em relação aos 33% registrados no ano anterior.
Figuras Públicas no Centro da Desinformação Gerada por IA
O estudo do Observatório Lupa destacou que mais de três quartos dos conteúdos com IA que circularam em 2025 exploraram a imagem ou a voz de pessoas conhecidas. As lideranças políticas foram os alvos mais frequentes dessa tática de desinformação artificial.
O levantamento identificou um número significativo de ocorrências visando figuras proeminentes. Foram apontadas 36 ocorrências de conteúdo falso que tinham como alvo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de 33 casos, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de 30 casos.
WhatsApp Perde Espaço, mas Desinformação se Dispersa
O panorama também observou uma mudança nas plataformas de difusão. O uso do WhatsApp para espalhar desinformação caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025. Essa diminuição, segundo a análise do Observatório Lupa, não indica necessariamente uma redução na disseminação de notícias falsas pelo aplicativo.
A interpretação é que houve uma maior dispersão de plataformas. A desinformação criada por IA agora se espalha por uma variedade maior de canais, tornando o monitoramento e o combate a essas fake news um desafio ainda mais complexo para as agências de checagem e para a sociedade como um todo.