Alerta de Fake News: Dados Falsos sobre Buscas de Violência Contra Mulheres Viralizam no Brasil

Alerta de Fake News: Dados Falsos sobre Buscas de Violência Contra Mulheres Viralizam no Brasil

Uma onda de desinformação tomou conta das redes sociais, associando dados alarmantes sobre buscas por violência contra mulheres a um relatório brasileiro inexistente. A notícia, que circula amplamente, alega que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública teria publicado um Anuário com estatísticas assustadoras sobre o tema, o que foi veementemente negado pela entidade.

A informação falsa, que ganhou força em 2026, adapta uma pesquisa internacional com falhas metodológicas significativas. A publicação original, de 2021, tentava correlacionar buscas no Google com a violência doméstica e o suicídio durante a pandemia. No entanto, a pesquisa original já havia sido amplamente contestada e considerada imprecisa.

A distorção brasileira alterou a pergunta original para “como matar uma mulher sem deixar rastros”, atribuiu os dados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, localizou as buscas no Brasil e definiu o ano da pesquisa como 2025. Essas modificações visam aumentar o impacto e a credibilidade da fake news, gerando ainda mais pânico.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública já se manifestou, informando que desconhece a origem dos dados e que buscou o perfil responsável pela publicação para que a informação seja corrigida ou removida, sem sucesso até o momento. A entidade reitera que não produziu tais estatísticas e que o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública foi publicado em junho passado, sem qualquer dado referente a buscas no Google.

A Origem da Desinformação: Uma Pesquisa Científica com Erros

A raiz da fake news parece ser uma pesquisa realizada pela pesquisadora canadense Katerina Standish, da Universidade de Otago, publicada no “Journal of General Psychology” em janeiro de 2021. O estudo buscava analisar se a pandemia de Covid-19 teria aumentado os índices de violência doméstica e suicídio.

Para isso, Standish analisou o aumento de buscas no Google relacionadas a frases como “Como controlar sua mulher”, “Ele vai me matar”, “Como bater em uma mulher sem que ninguém perceba”, “Me ajude, ele não vai embora”, “Eu vou matá-la quando ela voltar pra casa” e “Ele me bate o tempo todo”.

O Erro Metodológico Crucial na Pesquisa

O principal equívoco na pesquisa de Standish foi a confusão entre os **resultados de uma busca** no Google e o **número de vezes que uma pergunta foi feita**. A pesquisadora apresentou números altíssimos, como “163 milhões de vezes” para a frase “Como bater em uma mulher sem que ninguém perceba”, como se fossem o total de buscas realizadas. No entanto, este número representa a quantidade de resultados que o Google exibe para uma determinada pesquisa, e não a quantidade de vezes que ela foi de fato realizada.

O próprio Google confirma que não divulga dados com esse nível de detalhe. A empresa apenas compila tendências de busca através do Google Trends, que mostra o índice de popularidade de um termo, mas não o volume exato de pesquisas. O Google declarou que “as publicações que atribuem dados de buscas relativas à violência de gênero não se baseiam em dados do Google.”

A Propagação da Fake News e Suas Consequências

Após a publicação do estudo de Standish, a MSNBC e outros veículos noticiosos replicaram a informação, que posteriormente foi distorcida por sites franceses, que a apresentaram como buscas realizadas pelos franceses. Agora, a versão brasileira, publicada pelo perfil “Planeta Ellas”, adaptou a história para atingir o público nacional.

A pesquisadora Katerina Standish posteriormente admitiu o erro em seu perfil no Twitter, reconhecendo que os resultados de seu estudo eram falhos e que havia procurado o periódico científico para discutir as imprecisões. Sites de checagem de fatos, como o Snopes, já haviam rotulado como falsos os posts que citavam as milhões de buscas.

A Importância da Verificação de Informações

Este caso ressalta a importância de **verificar a veracidade das informações** antes de compartilhá-las, especialmente em temas sensíveis como violência contra a mulher. A disseminação de fake news pode gerar pânico desnecessário, desviar o foco de problemas reais e prejudicar a credibilidade de instituições sérias como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

É fundamental que os usuários das redes sociais busquem fontes confiáveis e questionem informações alarmantes que não possuem embasamento oficial. A luta contra a violência de gênero exige dados precisos e um combate sério à desinformação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *