Agronegócio Brasileiro comemora sinal verde da União Europeia para acordo com Mercosul, abrindo portas para a maior zona de livre comércio global.
A aprovação da União Europeia para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, anunciada nesta sexta-feira (9), foi recebida com grande entusiasmo pelo agronegócio brasileiro. O tratado, com assinatura prevista para o próximo dia 17, tem o potencial de criar a maior zona de livre comércio do mundo, gerando expectativas de um aumento significativo nas exportações e no fortalecimento das relações comerciais entre os blocos.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de ovos, frango e porco, destacou o acordo como um “avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos”. A entidade ressaltou que os impactos para o setor de proteínas animais serão graduais e bem delimitados, reforçando a posição do Brasil como um fornecedor confiável de alimentos, com base em sanidade, sustentabilidade e alta capacidade produtiva.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do planeta, figura como um dos principais beneficiários deste novo cenário. Atualmente, o bloco europeu já se posiciona como o segundo maior cliente do agronegócio brasileiro, ficando atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também celebrou a aprovação, considerando-a um passo crucial após mais de duas décadas de discussões e ajustes, especialmente diante da necessidade de fortalecer acordos bilaterais que ampliem o alcance do comércio internacional brasileiro.
Conforme informação divulgada pelo g1, apesar de as exportações brasileiras de soja em grão, farelo e milho não enfrentarem barreiras tarifárias na União Europeia, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) prevê benefícios para o setor. No segmento de café, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, declarou ao Jornal Nacional que o acordo pode impulsionar a competitividade do café solúvel brasileiro na Europa. Atualmente, o país enfrenta a concorrência do Vietnã, que já possui tarifa zero para este produto com o bloco europeu.
Café brasileiro ganhará fôlego com tarifas zeradas em quatro anos
O acordo UE-Mercosul prevê a eliminação gradual das tarifas sobre o café solúvel e também sobre o café torrado e moído, com a zeragem completa em um prazo de quatro anos. Marcos Matos, do Cecafé, estima que a partir dessas mudanças, “as previsões iniciais são de que a gente pode crescer até 35% nos próximos anos”. Essa perspectiva otimista sinaliza uma nova era para um dos produtos mais emblemáticos da pauta de exportações brasileira.
Carne bovina terá cotas de exportação com impostos reduzidos
O acordo também contempla a carne bovina, com a criação de cotas anuais. Juntos, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar até 99 mil toneladas por ano para a União Europeia com uma tarifa inicial de 7,5%. Apesar de a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, ter considerado essa cota pequena em dezembro passado, ela reconheceu que o acordo eleva o nível da relação comercial e torna o Mercosul um parceiro preferencial para a UE.
Salvaguardas europeias geram atenção, mas diálogo é a chave
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que a relação com a agropecuária criará novas oportunidades e ampliará os negócios para o Mercosul. Ele também pontuou que as salvaguardas, aprovadas pelos parlamentares europeus em dezembro, podem ser debatidas durante os processos de negociação e são recíprocas. As salvaguardas são mecanismos de proteção para agricultores europeus, prevendo a suspensão temporária dos benefícios tarifários caso a UE entenda que algum setor do agro local esteja sendo prejudicado.
Na época da aprovação das salvaguardas, houve insatisfação no agronegócio brasileiro. Sueme Mori, da CNA, explicou que essas proteções podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que seria contraditório em um acordo de livre comércio. A CNA e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) foram procuradas pelo g1 para comentar o assunto, mas não retornaram até a última atualização desta reportagem. A expectativa é que o diálogo contínuo entre os blocos ajude a mitigar preocupações e a garantir os benefícios esperados com este importante acordo comercial.