Agricultores Europeus em Revolta: “Vai Matar a Agricultura” Contra Acordo UE-Mercosul; Veja o Que Mudou

Agricultores Europeus Protestam Contra Acordo com Mercosul Temendo Colapso do Setor

A União Europeia deu um passo significativo rumo à aprovação do acordo de livre comércio com o Mercosul, mas a decisão acendeu um alerta vermelho entre produtores rurais em diversos países europeus. França, Polônia e Bélgica lideram uma onda de protestos, com estradas bloqueadas e manifestações em cidades importantes, expressando profundo descontentamento com o que consideram uma ameaça direta à sua produção.

As manifestações ocorrem após o bloco europeu ter dado aval ao acordo, que busca intensificar as relações comerciais entre a UE e os países do Mercosul. Apesar da resistência de nações como França, Polônia e Bélgica, que votaram contra a proposta, a maioria necessária para a aprovação foi alcançada, abrindo caminho para a formalização do tratado.

A preocupação central dos agricultores europeus reside no temor de uma concorrência desleal. Eles argumentam que produtos oriundos do Mercosul, como carne, arroz, mel e soja, são produzidos sob regras menos rigorosas, especialmente no que diz respeito ao uso de agrotóxicos, o que os tornaria mais baratos e competitivos no mercado europeu.

Esses temores, que já vinham se manifestando em semanas anteriores com atos em Bruxelas e Paris, ganharam força nesta sexta-feira (9). A situação reflete uma tensão crescente entre as metas de liberalização comercial da UE e a preservação da agricultura local, que muitos veem como um pilar econômico e cultural da Europa. Conforme informação divulgada pela Reuters, a aprovação do acordo ainda não foi formalizada, mas o sinal verde do bloco é um indicativo forte de que o tratado avançará.

Tratores Bloqueiam Vias na França e Marchas Tomam as Ruas

Em Paris, a paisagem urbana foi alterada pela presença de tratores posicionados estrategicamente nas entradas da cidade, simbolizando a insatisfação dos produtores. Protestos semelhantes foram registrados em outras cidades francesas, como Bordeaux e Le Mans, conforme reportado pela agência AFP, demonstrando a amplitude do descontentamento no país.

A França, que se destaca como a maior produtora de carne bovina dentro da União Europeia, tem sido uma das vozes mais críticas ao acordo. O presidente Emmanuel Macron já havia manifestado sua oposição, classificando o tratado como “de outra época”, uma vez que sua negociação se baseou em um mandato de 1999 e os ganhos econômicos previstos são considerados limitados.

Polônia e Bélgica se Juntam aos Protestos com Ações Impactantes

Na Polônia, a capital Varsóvia foi palco de uma marcha que reuniu cerca de mil agricultores. O grupo se concentrou em frente ao Palácio da Cultura antes de seguir em direção ao Parlamento, com ruas sendo bloqueadas e a polícia escoltando os manifestantes. A preocupação com a qualidade dos alimentos e os impactos na agricultura local foram temas centrais, com agricultores expressando receios sobre a segurança alimentar.

Um agricultor polonês de 65 anos, identificado apenas como Marek, relatou à Reuters o temor de que o acordo leve à contaminação, citando as diferenças nos padrões de uso de agrotóxicos entre a Polônia e os países do Mercosul. “Eles vão nos envenenar. A mim, a você, aos meus filhos, aos meus netos”, declarou, exemplificando a gravidade da preocupação.

A Bélgica também registrou manifestações significativas. Agricultores bloquearam estradas por todo o país, utilizando fogueiras, pneus velhos e barris em chamas para chamar a atenção e causar impacto no tráfego. Essas ações demonstram a intensidade da revolta e o desespero dos produtores em serem ouvidos.

Itália Muda de Posição e Acordo Avança, Mas Protestos Persistem

Um ponto crucial para a aprovação do acordo foi a mudança de posição da Itália. Contrário ao pacto até dezembro, o país passou a apoiá-lo após a UE oferecer novos benefícios aos agricultores europeus. Em Milão, a insatisfação foi demonstrada com a presença de tratores nas ruas e o despejo de leite no chão, uma imagem forte da desaprovação ao acordo.

Esses protestos recentes dão continuidade a uma série de manifestações que vêm ocorrendo nas últimas semanas. Atos anteriores incluíram o despejo de esterco em frente à residência de praia do presidente francês Emmanuel Macron e confrontos com a polícia em Bruxelas, onde pneus foram queimados em protesto em larga escala.

A resistência dos agricultores europeus ao acordo UE-Mercosul é histórica e baseada em receios concretos de que a entrada massiva de produtos sul-americanos possa desestabilizar o mercado interno. A batalha pela proteção da agricultura europeia segue acirrada, com os produtores determinados a defender seus meios de subsistência e a qualidade dos alimentos produzidos no continente.

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