Advogados Brasileiros Questionam Projeto de Lei nos EUA Sobre Provas Geradas por Inteligência Artificial na Justiça

Advogados expressam ceticismo sobre nova regra judicial dos EUA para provas de IA

Um projeto de regra nacional nos Estados Unidos, que visa policiar o uso de provas geradas por inteligência artificial (IA) no judiciário, tem gerado debate entre advogados. A proposta, em discussão desde 2024, busca antecipar desafios da tecnologia, mas críticos argumentam que ela pode ser desnecessária e prematura.

A iniciativa do judiciário americano visa estabelecer diretrizes claras para a admissão de evidências criadas por IA em processos. No entanto, a preocupação é que a regra aborde um problema que ainda não se manifestou de forma significativa, levando a questionamentos sobre sua real necessidade.

Advogados renomados expressaram suas opiniões, destacando que os tribunais parecem estar lidando adequadamente com a questão mesmo sem regulamentações específicas. A ideia é que a flexibilidade das regras de prova atuais já oferece mecanismos para examinar a confiabilidade de qualquer evidência, incluindo aquelas geradas por IA.

Essa perspectiva sugere que a proposta pode precisar de uma reformulação substancial ou até mesmo ser descartada. A discussão levanta pontos importantes sobre a evolução da tecnologia e sua integração ao sistema legal, especialmente no contexto de provas digitais.

A proposta em detalhe: Padrões de confiabilidade para IA

A proposta em questão prevê que evidências geradas por IA e outras máquinas, quando apresentadas em julgamento sem o acompanhamento de uma testemunha especializada, deverão seguir os mesmos padrões de confiabilidade aplicados a peritos. Essa medida visa garantir que a origem e a veracidade dessas provas sejam devidamente escrutinadas, independentemente de serem criadas por humanos ou algoritmos.

No entanto, a regra prevê uma isenção para o que chama de “instrumentos científicos básicos”. Essa distinção levanta dúvidas sobre a clareza e a aplicabilidade da norma em diferentes cenários, especialmente quando a linha entre um instrumento básico e uma ferramenta de IA avançada pode ser tênue.

Críticas à necessidade e aplicabilidade da regra

Thomas Allman, ex-conselheiro geral da BASF Corp, manifestou sua opinião de que não há uma “necessidade premente” para a proposta avançar no momento. Ele ressaltou que os tribunais têm demonstrado capacidade de lidar com o tema sem regras específicas, avaliando a confiabilidade das provas sob as normas existentes. A preocupação é que a introdução de uma nova regra possa criar complexidade desnecessária.

A confiabilidade de depoimentos de testemunhas especializadas que utilizam IA já é objeto de rigoroso exame sob as Regras Federais de Provas dos EUA. A questão central levantada pelos críticos é o que aconteceria se uma testemunha não especialista utilizasse um programa de IA para gerar provas sem ter o conhecimento necessário sobre sua confiabilidade.

O papel das testemunhas especializadas e a complexidade da IA

Jeannine Kenney, advogada do escritório Hausfeld, apontou a dificuldade em imaginar um cenário onde um litigante em um processo civil tentaria introduzir provas geradas por máquinas sem uma testemunha especializada. Atualmente, a apresentação de tais evidências já se sujeita a um regramento que exige a expertise para sua validação. A proposta, segundo ela, não aborda de forma clara essa dinâmica já existente.

A complexidade inerente às ferramentas de IA e a forma como elas geram resultados podem tornar o processo de validação ainda mais desafiador. A proposta busca uniformizar o tratamento, mas a execução prática e a necessidade real dessa padronização ainda são pontos de debate intenso entre os profissionais do direito.

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