Acordo UE-Mercosul em xeque: Parlamento Europeu decide levar pacto comercial à Justiça, paralisando sua entrada em vigor por meses e gerando reações diversas entre líderes europeus.
O Parlamento Europeu tomou uma decisão nesta quarta-feira (21) que pode impactar significativamente o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A votação, que leva os termos do pacto para revisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, impede, em teoria, a entrada em vigor do acordo por vários meses.
Essa manobra legal levanta questões sobre a legalidade do acordo e suas implicações futuras, dividindo as opiniões de importantes figuras políticas europeias. A decisão acendeu um debate acalorado sobre a soberania alimentar, a agricultura europeia e a geopolítica global.
A medida, além de atrasar a implementação, busca uma análise profunda da conformidade do acordo com as leis europeias. A expectativa agora se volta para a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, que terá a palavra final sobre o destino do pacto.
As reações nas redes sociais, especialmente no X, revelam as diferentes visões sobre o ocorrido. Enquanto alguns líderes celebram a decisão como uma vitória para a proteção dos interesses europeus, outros a consideram um retrocesso em um momento geopolítico delicado. Conforme informação divulgada pelo Parlamento Europeu, a votação nesta quarta-feira (21) levou o acordo à Justiça.
Friedrich Merz critica o atraso e defende a aplicação provisória do acordo
O chefe de governo da Alemanha, Friedrich Merz, expressou seu descontentamento com a decisão do Parlamento Europeu. Em sua publicação no X, Merz classificou a medida como “lamentável” e argumentou que ela “avalia mal a situação geopolítica”. Ele reiterou a convicção na legalidade do acordo e pediu o fim dos atrasos, defendendo sua “aplicação provisória”.
França apoia a decisão e reforça defesa da agricultura e soberania alimentar
Jean-Noël Barrot, Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, manifestou apoio à decisão do Parlamento Europeu. Segundo ele, submeter o acordo com o Mercosul ao Tribunal de Justiça da União Europeia está “em consonância” com a posição defendida pela França. Barrot destacou que o país está “disposto a dizer não quando necessário”, priorizando a proteção da agricultura e a garantia da soberania alimentar europeia.
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, concordou com Barrot, considerando a votação “importante” e que “deve ser respeitada”. A posição francesa demonstra um alinhamento em defender os interesses nacionais diante do pacto comercial.
Hungria alinha-se à decisão, focando na defesa de agricultores e trabalhadores
Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, compartilhou em sua conta no X uma publicação da página @patriotaspelaeuropa, que elogia a decisão. O post sugere que, enquanto partidos do “establishment” cedem a “lobistas globalistas”, o movimento defende agricultores e trabalhadores europeus. A publicação atribui aos votos do grupo a mudança de rumo, deixando a decisão final nas mãos da Justiça.
A repercussão entre os líderes europeus evidencia a complexidade e as diferentes prioridades em jogo no acordo UE-Mercosul. A análise do Tribunal de Justiça da União Europeia será crucial para definir os próximos passos do pacto comercial.