Acordo UE-Mercosul: 25 Anos de Negociações Históricas Rumo à Maior Zona de Livre Comércio do Mundo

A Longa Jornada para um Acordo Histórico: UE e Mercosul Caminham para a Integração

Após mais de 25 anos de intensas negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deu um passo crucial com a aprovação pelos países europeus. Este pacto histórico promete criar a maior zona de livre comércio do planeta, mas sua trajetória foi marcada por reviravoltas políticas, econômicas e estratégicas.

A jornada para a consolidação deste acordo é um testemunho da complexidade das relações internacionais e da persistência diplomática. Desde a criação do Mercosul em 1991, ambos os blocos buscaram formas de estreitar laços comerciais e estratégicos, enfrentando diversos obstáculos ao longo do caminho.

O g1 preparou um resumo detalhado dos momentos chave que moldaram estas negociações, desde os primeiros contatos até a recente aprovação. Acompanhe os principais capítulos dessa saga que pode redefinir o comércio global.

Para entrar em vigor, o tratado ainda precisa da aprovação do Congresso Europeu e dos legislativos dos países sul-americanos, um processo que demandará novas articulações políticas.

As Origens do Acordo e os Primeiros Passos Formais

Tudo começou em 1991 com a assinatura do Tratado de Assunção, que deu origem ao Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A União Europeia, reconhecendo o peso político e econômico do bloco sul-americano, passou a vê-lo como um parceiro estratégico.

Em 1994, a ideia de um acordo formal ganhou força, especialmente em um cenário global onde a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), liderada pelos EUA, atraía atenção. A UE buscava expandir sua influência na América do Sul e equilibrar a presença americana na região.

O primeiro passo concreto ocorreu em 1995, com a assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional. Este acordo estabeleceu as bases políticas, institucionais e econômicas, além de mecanismos de diálogo e cooperação técnica, incentivando investimentos mútuos.

Início das Negociações e Impasses Persistentes

As tratativas comerciais tiveram início oficial em 1999, organizadas em três frentes principais: diálogo político, cooperação e livre comércio. Desde o princípio, surgiram impasses significativos, especialmente em relação aos subsídios agrícolas europeus e à abertura do setor industrial do Mercosul.

Em 2004, as negociações atingiram um ponto crítico. O Mercosul criticava o acesso restrito ao mercado agrícola europeu, enquanto a UE apontava a resistência dos países sul-americanos em abrir suas indústrias para produtos europeus.

Entre 2004 e 2010, o processo ficou praticamente paralisado. Divergências internas, políticas protecionistas na Europa e mudanças no cenário político da América do Sul contribuíram para essa estagnação.

Retomada e Avanços Rumo à Conclusão

O diálogo foi retomado com mais intensidade em 2016. O interesse renovado da Europa em acordos comerciais e as transformações no comércio global deram um novo impulso às negociações. Nesta fase, capítulos importantes sobre tarifas, serviços, compras públicas, regras de origem e propriedade intelectual foram definidos.

Em 2019, Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político. O texto previa a eliminação gradual de tarifas em cerca de 90% do comércio bilateral e o estabelecimento de regras comuns para serviços e compras públicas, um marco importante para o futuro do acordo UE-Mercosul.

No entanto, críticas ambientais e resistências políticas em alguns países europeus adiaram a ratificação do acordo UE-Mercosul, demonstrando a complexidade para sua aprovação final.

Desafios Ambientais e a Aprovação Final

Entre 2020 e 2022, a UE passou a exigir compromissos ambientais mais rigorosos, focados no combate ao desmatamento e na adesão aos princípios do Acordo de Paris. Essas exigências adicionaram uma nova camada de complexidade ao processo do acordo UE-Mercosul.

Em 2023, um instrumento ambiental adicional foi apresentado. O Mercosul aceitou parte das propostas, mas manifestou críticas à previsão de sanções unilaterais, um ponto sensível nas negociações do acordo UE-Mercosul.

Os blocos consolidaram o texto final em 2024, após revisão jurídica e articulação política. Em 2025, a aprovação enfrentou resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, como França, Polônia e Irlanda, mostrando que a consolidação do acordo UE-Mercosul ainda exigia esforços.

Finalmente, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e a concretização da maior área de livre comércio do mundo, um capítulo decisivo para o futuro do acordo UE-Mercosul.

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