UE avança em acordo comercial com Mercosul e espera assinatura em breve, mas França e Itália impõem ressalvas
A União Europeia deu um passo importante nas negociações para a aprovação do acordo comercial com o Mercosul. A Comissã Europeia informou que os países europeus avançaram significativamente, e a expectativa é que a assinatura ocorra “em breve”. A porta-voz do bloco, Paula Pinho, não confirmou a data de 12 de janeiro, que circulava nos bastidores, mas reforçou o otimismo.
Embora as conversas estejam bem encaminhadas, o plano original de selar o pacto, que visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, sofreu alterações. Originalmente previsto para dezembro de 2025, o acordo agora tem a assinatura prevista para um futuro próximo, mas enfrenta resistências internas.
A França e a Itália, em particular, têm expressado preocupações, principalmente em relação à proteção de seus agricultores. Esses países solicitam maiores salvaguardas para seus setores agrícolas diante da possibilidade de concorrência com produtos do Mercosul, que podem ter custos de produção menores.
O acordo comercial, que foi firmado politicamente no ano passado, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre os blocos. Além disso, estabelece regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, buscando maior integração econômica.
Resistência Francesa e Italiana
O presidente da França, Emmanuel Macron, tem sido um dos principais opositores, afirmando que o país não apoiará o acordo sem novas salvaguardas para os agricultores franceses. Macron declarou que, sob sua perspectiva, “as contas não fecham” com os termos atuais e que a França se oporá a qualquer tentativa de forçar a adoção do pacto. Agricultores franceses temem a concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob diferentes normas ambientais.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também indicou que o país pode apoiar o acordo, mas somente após as preocupações dos agricultores italianos serem atendidas. Meloni afirmou que o governo italiano está pronto para assinar assim que as respostas necessárias forem dadas, o que, segundo ela, pode ser resolvido rapidamente com decisões da Comissã Europeia.
Apoio de Outros Países Europeus
Em contrapartida à resistência francesa e italiana, outros países europeus veem o acordo com bons olhos. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defendem o avanço do tratado. Alemanha, Espanha e países nórdicos acreditam que o acordo pode ajudar a compensar os efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da Europa em relação à China, ampliando o acesso a minerais e novos mercados.
“Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou o chanceler alemão. A aprovação do acordo depende do aval do Conselho Europeu, que exige a maioria dos países membros e da maior parte da população europeia, tornando a fase de ratificação politicamente sensível.
Otimismo do Brasil e Abrangência do Acordo
O Brasil mantém uma postura otimista. O presidente Lula indicou que a resistência italiana é temporária e ligada à pressão de agricultores, expressando confiança de que o país aderirá ao acordo. Embora a resistência se concentre no agronegócio, o pacto abrange indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, áreas que contam com apoio de outros setores dentro da União Europeia.
A presidente da Comissã Europeia, Ursula von der Leyen, já havia afirmado que um número suficiente de Estados-membros apoiará o acordo para que ele seja aprovado, demonstrando confiança na maioria necessária para a conclusão do pacto comercial entre o Mercosul e a União Europeia.