Bloqueio dos EUA força Venezuela a reduzir produção de petróleo por falta de espaço para estoque

Venezuela reduz produção de petróleo por falta de espaço para estoque devido a bloqueio dos EUA

A estatal petrolífera venezuelana PDVSA iniciou uma redução significativa em sua produção de petróleo bruto. A medida drástica surge como consequência direta da falta de capacidade de armazenamento, conforme noticiado pela agência Reuters.

Esse cenário é resultado de um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que efetivamente zerou as exportações do país e intensificou a pressão sobre o governo interino. A Venezuela, membro da OPEP e com o petróleo como principal fonte de receita, vê suas exportações paralisadas.

A situação política na Venezuela se agravou com a recente captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa por forças americanas. A deposição do líder abriu caminho para a vice-presidente Delcy Rodríguez assumir o cargo em meio a ameaças americanas de novas ações militares.

O bloqueio imposto pelos EUA inclui sanções a navios-tanque e a apreensão de carregamentos no mês passado. Mesmo as operações da empresa americana Chevron, que possuía licença de Washington, foram interrompidas desde quinta-feira, segundo dados divulgados neste domingo.

Impacto da paralisação das exportações

As exportações de petróleo, que representam a espinha dorsal da economia venezuelana, estão completamente paralisadas. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio a navios-tanque sob sanções e apreenderam dois carregamentos no mês passado, segundo informações da Reuters.

As cargas da petrolífera americana Chevron, que eram uma exceção por terem licença de Washington para operar, também foram interrompidas desde quinta-feira. Essa paralisação afeta diretamente a capacidade da PDVSA de escoar sua produção.

O presidente Donald Trump declarou que um “embargo ao petróleo” contra a Venezuela estava plenamente em vigor após anunciar a detenção de Maduro. Ele também afirmou que os EUA passariam a “administrar” o país de forma interina.

No entanto, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, adotou um tom diferente, afirmando que os EUA se limitarão a impor a “quarentena do petróleo” já existente, utilizando-a como instrumento de pressão para promover mudanças políticas na Venezuela.

PDVSA busca soluções para o excesso de estoque

A medida da PDVSA inclui o fechamento de campos petrolíferos ou de conjuntos de poços. Isso ocorre à medida que os estoques em terra aumentam e a empresa fica sem diluentes, essenciais para misturar o petróleo pesado venezuelano e viabilizar seu transporte.

Conforme a Reuters, a companhia solicitou cortes de produção em joint ventures como a Petrolera Sinovensa (CNPC), Petropiar (Chevron), Petroboscan e Petromonagas. A Petromonagas, antes operada com a estatal russa Roszarubezhneft, agora é administrada apenas pela PDVSA.

Trabalhadores da Sinovensa se preparavam para desligar até dez conjuntos de poços, a pedido da PDVSA, devido ao excesso de petróleo extrapesado e à falta de diluentes. A expectativa é que esses poços possam ser religados rapidamente no futuro.

Parte da produção da Sinovensa é tradicionalmente destinada à China como pagamento de dívidas. Contudo, dois superpetroleiros chineses que se aproximavam da Venezuela para carregar petróleo interromperam sua navegação no fim de dezembro, segundo dados da LSEG.

Reservas e histórico da produção venezuelana

A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris, de acordo com a Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos. Esse volume a coloca à frente de países como Arábia Saudita e Irã.

No entanto, grande parte do petróleo venezuelano é extrapesado, exigindo tecnologia avançada e altos investimentos para sua extração. O potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais.

A produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. No ano passado, houve uma leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, menos de 1% da produção global.

O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século 20, com o país ajudando a fundar a OPEP em 1960. Após a nacionalização da indústria em 1976 e a criação da PDVSA, grande parte da receita do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos.

A queda nas receitas do petróleo e as sanções internacionais agravaram a crise econômica, contribuindo para a explosão inflacionária. Em 2019, os preços subiram 344.510%, segundo o Banco Central, evidenciando a fragilidade econômica do país.

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