China Impõe Taxas na Carne Bovina: Brasil Negocia com Pequim para Minimizar Impactos e Defender Produtores

China Impõe Taxas na Carne Bovina: Brasil Negocia com Pequim para Minimizar Impactos e Defender Produtores

O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (31) que buscará o diálogo com a China para mitigar os efeitos de novas medidas de importação de carne bovina impostas por Pequim. A China implementará salvaguardas, incluindo a criação de cotas e a cobrança de sobretaxas, a partir de 1º de janeiro de 2026, o que pode impactar significativamente as exportações brasileiras.

A decisão chinesa visa proteger sua indústria pecuária local, que, segundo o Ministério do Comércio chinês, tem sido prejudicada pelo aumento das importações. A China, principal mercado para a carne bovina brasileira, respondeu por cerca de metade das exportações do país em 2025, conforme dados da Abiec.

Apesar da preocupação do setor, o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que a medida não é “algo tão preocupante” em termos gerais, pois o volume de exportação brasileiro se aproxima da cota definida. No entanto, o governo pretende negociar com a China, inclusive a possibilidade de transferência de cotas não utilizadas por outros países.

As informações foram divulgadas pelo governo brasileiro, que acompanha o tema com atenção e tem atuado em coordenação com o setor privado. O Brasil continuará as discussões com o governo chinês tanto em âmbito bilateral quanto na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Detalhes das Novas Medidas Chinesas

As medidas de salvaguarda chinesas terão duração prevista de três anos e estabelecem uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. Exportações que ultrapassarem este volume estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%. Para 2026, a cota global definida pela China é de 2,7 milhões de toneladas, com expectativa de aumento gradual nos anos seguintes.

A taxa de importação dentro da cota será de 12%, e a sobretaxa para o volume excedente será de 55%. Essas regras, que entram em vigor em 2026, foram confirmadas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Impacto Econômico e Estratégias do Brasil

Entidades do setor produtivo avaliam que as novas medidas exigirão ajustes em toda a cadeia da carne. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que a decisão possa resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil já em 2026. O volume exportado pelo Brasil para a China em 2025, até novembro, foi de 1,52 milhão de toneladas, superior à cota inicial prevista.

O Ministro Fávaro destacou que o Brasil busca diversificar mercados, com a expectativa de ampliar as vendas ao Japão a partir de 2026, como forma de reduzir a dependência do mercado chinês e mitigar os impactos das novas taxas. A China é o maior importador e o segundo maior consumidor de carne bovina do mundo.

Investigação Chinesa e Cenário Global

A China iniciou em 2024 uma investigação sobre os efeitos do aumento das importações de carne bovina em seu mercado. O governo chinês alega que o crescimento das compras externas prejudicou a indústria local. Este movimento ocorre em um contexto de escassez global de carne bovina, que tem pressionado os preços internacionais.

A decisão chinesa de implementar salvaguardas é um instrumento de defesa comercial previsto nos acordos da OMC e se aplica a importações de todas as origens. O objetivo do governo brasileiro é reduzir o impacto dessa decisão e defender os interesses dos trabalhadores e produtores do setor de carne bovina do Brasil.

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