Dólar despenca mais de 11% em 2025, fechando abaixo de R$ 5,50, enquanto Ibovespa dispara mais de 30% impulsionado por juros e otimismo

Dólar em queda livre e Ibovespa em alta histórica marcam o fim de 2025

O último pregão de 2025 foi marcado por um ritmo mais lento, típico do fim de ano. O dólar americano fechou o ano em queda expressiva, consolidando um desempenho anual que superou os 11%. A moeda americana encerrou o último pregão em R$ 5,4887, uma desvalorização de 1,47% apenas no dia.

Essa trajetória reflete uma série de fatores, incluindo as apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Além disso, preocupações com o déficit público e a condução da economia pelo presidente Donald Trump também contribuíram para o cenário de desvalorização da moeda americana.

Em contrapartida, a bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou 2025 com uma valorização impressionante de mais de 30%. Este foi o maior ganho anual registrado desde 2016, um feito notável mesmo em um contexto de juros no nível mais alto dos últimos 20 anos.

O desempenho positivo da bolsa brasileira é atribuído à expectativa de cortes de juros, tanto nos EUA quanto no Brasil. A realocação de investimentos em favor de ativos brasileiros, a resiliência do país em meio a tensões comerciais e a percepção de que as ações brasileiras ainda negociam abaixo dos níveis pré-pandemia também impulsionaram o mercado. Essas informações foram divulgadas pelo g1.

Federal Reserve e o dilema da inflação

Na terça-feira, os investidores estiveram atentos à divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve. O documento indicou que os dirigentes do banco central americano debateram intensamente os riscos para a economia dos EUA antes de concordarem com o corte da taxa básica de juros. A maioria dos participantes apoiou a redução para ajudar a “estabilizar o mercado de trabalho”.

No entanto, uma parcela significativa dos dirigentes expressou preocupação com a lentidão da inflação em direção à meta de 2%. As projeções do mercado financeiro indicam apenas mais um corte de juros em 2026, e o Fed provavelmente aguardará novos dados que confirmem a queda da inflação ou um aumento mais expressivo do desemprego.

Cenário político e indicadores econômicos no Brasil

O mercado também repercutiu o acordo comercial entre EUA e Israel, envolvendo produtos agrícolas e outros setores. As críticas do presidente Donald Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, que o chamou de “extremamente incompetente”, também chamaram a atenção.

No Brasil, o foco esteve nos dados do mercado de trabalho. O IBGE informou que a taxa de desemprego caiu para 5,2% em novembro, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. Houve também recorde no número de pessoas ocupadas e com carteira assinada.

O Caged de novembro registrou a criação de 85,9 mil empregos formais, um recuo de 19,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Investidores também acompanharam as contas públicas, com o governo central registrando um déficit de R$ 20,2 bilhões em novembro, acima das expectativas.

Mercados globais: desempenho misto

Fora do Brasil, os mercados de ações apresentaram um desempenho misto. Nos Estados Unidos, as bolsas registraram a terceira sessão seguida de quedas, especialmente no setor de tecnologia, com ações como Nvidia e Tesla recuando devido a preocupações com o excesso de investimentos em inteligência artificial. O Dow Jones caiu 0,20%, o S&P 500 recuou 0,14%, e o Nasdaq Composite fechou em queda de 0,245%.

Na Europa, as bolsas atingiram novos recordes, com o índice STOXX 600 em alta de 0,6%. O ano foi positivo na Europa impulsionado por juros mais baixos e estímulos fiscais. Na Ásia, os mercados fecharam mistos. Na China, o mercado interrompeu uma sequência de altas, enquanto em Hong Kong, o setor de tecnologia impulsionou ganhos. No Japão, a bolsa fechou em queda, pressionada por perdas em empresas de tecnologia.

Desempenho do Dólar e Ibovespa em 2025

O dólar acumulou uma desvalorização de -11,18% no ano, com o Ibovespa registrando uma valorização de +33,95%. Esses números refletem um ano de forte volatilidade e realinhamento de expectativas para os mercados financeiros globais e brasileiros.

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