Daniel Vorcaro depõe no STF em investigação sobre o Banco Master e negociações com o BRB
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, chegou a Brasília na manhã desta terça-feira (30) para prestar depoimento na sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Seu carro foi visto entrando na garagem do tribunal, onde ele iniciou sua oitiva.
A presença de Vorcaro na capital federal faz parte de uma investigação mais ampla que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As oitivas ocorrem sob acompanhamento judicial e ministerial, indicando a complexidade e a seriedade do caso.
Além de Vorcaro, também estão prestando depoimento Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central. A expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer as circunstâncias que levaram à crise financeira do Banco Master e às negociações para sua venda.
As investigações, iniciadas em 2024 na Justiça Federal, buscam determinar se o Banco Master possuía recursos suficientes para honrar seus compromissos financeiros com vencimento em 2025. Conforme apuração da Polícia Federal, a instituição financeira não teria lastro adequado, o que gerou preocupação no mercado. Acompanhe os detalhes a seguir.
Oitivas e Possível Acariação no STF
Por volta das 14h, a Polícia Federal iniciou a coleta dos depoimentos. A delegada responsável pelo caso analisará as informações prestadas pelos três envolvidos. Caso sejam identificadas divergências relevantes entre as versões, a autoridade poderá determinar a realização de uma acareação, procedimento que confronta as partes para esclarecer pontos conflitantes.
Todo o processo está sob os olhares de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF, e de um representante do Ministério Público. A presença desses órgãos garante a legalidade e a lisura dos procedimentos adotados durante as oitivas e eventuais acareações.
Contexto da Crise: Venda do Banco Master ao BRB
Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa estiveram diretamente envolvidos nas negociações para a venda do Banco Master ao BRB. Costa, antes de ser demitido do comando do BRB em meio a investigações da Polícia Federal sobre fraudes bancárias, defendia a aquisição do Banco Master como uma solução para a crise da instituição.
A atuação de Costa na defesa da compra do Master pelo BRB é um dos pontos de atenção na investigação. A Polícia Federal busca entender a dinâmica dessas negociações e se houve alguma irregularidade que pudesse ter contribuído para a situação atual do Banco Master.
O Papel do Banco Central na Liquidação do Master
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, embora não seja investigado, teve papel técnico na análise das alternativas para a crise do Banco Master. Segundo investigadores, há uma chance de divergência em seu depoimento.
O BC analisou diversas opções, incluindo aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação. Como as etapas iniciais não avançaram, a Diretoria de Fiscalização recomendou a liquidação. A venda do Master ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do BC, sob o comando de Renato Gomes. A decisão final pela liquidação foi unânime na diretoria colegiada do Banco Central.
Acareação Determinada por Dias Toffoli e Repercussão
A acareação entre os envolvidos foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes financeiras. O caso tramita em sigilo no STF desde o início de dezembro.
A decisão de Toffoli de marcar a acareação, de ofício, gerou repercussão. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão da medida, considerando-a prematura, mas o pedido foi negado. O Banco Central também recorreu ao STF, questionando a urgência do procedimento durante o recesso judiciário e a forma como seu diretor foi convocado.
Toffoli rejeitou os recursos, ressaltando que nem o BC nem Ailton de Aquino são investigados e manteve a data da acareação, citando o impacto relevante dos fatos sobre o sistema financeiro. Entidades financeiras divulgaram notas em defesa da autonomia do Banco Central, alertando para o risco de fragilização do regulador e instabilidade no sistema.
A apuração indica que o Banco Master adquiriu créditos da empresa Tirreno sem pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões. O Banco Central rejeitou a compra pelo BRB e decretou a liquidação do Master em novembro, citando falta de dinheiro em caixa para cumprir compromissos financeiros.