Pingtok no TikTok: Jovens expõem uso de drogas e criam mercado ilegal; especialistas alertam para perigos

O fenômeno #Pingtok: como o TikTok se tornou palco para o uso de drogas entre jovens

O TikTok, plataforma de vídeos curtos que domina o universo digital, tornou-se, paradoxalmente, um ambiente onde o consumo de drogas por jovens é exibido e, em alguns casos, facilitado. A hashtag #Pingtok revela uma realidade preocupante: vídeos de adolescentes sob efeito de substâncias aparecem em sequência, impulsionados pelo algoritmo da rede.

Essa exposição constante e a facilidade de acesso a conteúdo relacionado a drogas levantam sérias questões sobre a segurança dos usuários mais jovens. Muitos deles, ao se depararem com essa realidade, sentem-se perdidos e buscam em criadores de conteúdo, como a influenciadora Sarah, um ponto de apoio.

Sarah, que lutou contra o vício em drogas desde os 15 anos, hoje utiliza o TikTok para compartilhar sua jornada de abstinência e educar outros. Ela relata receber mensagens intensas de jovens que foram introduzidos ao uso de drogas através da plataforma, muitos sem ter com quem conversar sobre suas experiências e traumas.

A facilidade com que o conteúdo sobre drogas se propaga no TikTok é alarmante. Uma simples busca por #Pingtok, termo que se refere ao consumo de MDMA, expõe vídeos que, muitas vezes, utilizam linguagem codificada para burlar a moderação da plataforma. Essa prática, conhecida como ‘algospeak’, envolve o uso de emojis, sons e gírias para disfarçar o conteúdo, dificultando sua detecção.

A linguagem secreta do Pingtok e a dificuldade de moderação

O termo ‘Pingtok’ deriva de ‘Ping’, uma gíria para o consumo de MDMA. Para driblar as regras da plataforma, que proíbe a exibição, publicidade ou venda de drogas, os usuários recorrem a códigos. Em vez de mostrar o uso explícito, vídeos podem apresentar apenas pupilas dilatadas, um sinal comum do efeito da substância.

Mesmo com o bloqueio de hashtags como #Pingtok, variações como #Pingtokk ou #Pintok rapidamente surgem, demonstrando a adaptabilidade dos usuários em contornar as medidas de segurança. O TikTok afirma agir rapidamente para remover conteúdo que viola suas políticas, mas a sofisticação das táticas utilizadas pelos usuários torna essa tarefa um desafio constante.

TikTok como mercado informal de drogas

Mais preocupante ainda é a transformação do TikTok em um mercado informal para a venda de drogas. Comentários em vídeos frequentemente exibem buscas por traficantes, como “quem está vendendo?” ou “preciso de alguma coisa em Berlim”. Esses vendedores utilizam símbolos, como um plugue de carregador, para sinalizar sua disponibilidade e direcionam os interessados para grupos de bate-papo em aplicativos como o Telegram.

A influenciadora Sarah destaca a mudança de paradigma: antigamente, o uso de drogas era secreto. Agora, com o TikTok, jovens exibem o consumo sozinhas, buscando cliques e validação online. Essa exposição pública do uso de drogas, especialmente entre os mais jovens, é um fenômeno novo e preocupante.

Dados alarmantes e o perigo do uso solitário

Os dados corroboram o perigo desse uso descontrolado. Na Alemanha, as mortes relacionadas a drogas quase dobraram em dez anos, e entre os menores de 30 anos, o número de óbitos aumentou 14% em 2024. Estudos nos Estados Unidos indicam que mais de dois terços das overdoses fatais ocorrem em casa, onde a intervenção é improvável.

Embora uma ligação direta com o #Pingtok não tenha sido comprovada, especialistas alertam que o isolamento social e a exposição a conteúdo sobre drogas nas redes sociais podem potencializar os riscos. A tendência de usar drogas sozinho, incentivada por algumas dinâmicas online, agrava essa situação.

Pressão internacional e o debate sobre restrições

Internacionalmente, governos pressionam as redes sociais para protegerem melhor os jovens. A Austrália já proibiu o uso de redes sociais para menores de 16 anos, e países como o Reino Unido, Dinamarca e França planejam restrições semelhantes. A União Europeia também avalia o cumprimento das plataformas em relação à proteção de menores.

No entanto, a pesquisadora Layla Bouzoubaa ressalta um aspecto muitas vezes negligenciado: muitas pessoas usam essas plataformas para encontrar apoio e superar o vício, sem glorificar o uso de drogas. Uma análise de vídeos sobre substâncias no TikTok revelou que mais da metade do conteúdo aborda prevenção, superação do vício ou busca por ajuda.

Bouzoubaa alerta que a remoção completa de conteúdo ou a proibição de plataformas pode ser prejudicial para esses grupos. Ela defende que, para efetivamente combater o problema, as plataformas precisam envolver as comunidades afetadas no processo de moderação e oferecer um apoio vital para aqueles que buscam ajuda.

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