Juros do Minha Casa, Minha Vida não devem cair com Selic em queda; Ministro explica porquê

Juros do Minha Casa, Minha Vida seguem estáveis apesar da perspectiva de queda da Selic

O governo federal não tem planos de reduzir ainda mais as taxas de juros do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo diante da expectativa de que a taxa básica de juros, a Selic, possa iniciar um ciclo de cortes ainda este ano. A informação foi divulgada pelo ministro das Cidades, Jader Filho, nesta segunda-feira (9).

A declaração ocorreu durante um evento realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro enfatizou que as condições atuais do programa já oferecem taxas de financiamento extremamente vantajosas para os beneficiários.

“Não há previsão de baixar mais os juros”, afirmou o ministro, reforçando que as taxas do MCMV já atingiram o menor patamar histórico desde o lançamento do programa. Essa decisão se mantém mesmo com a Selic em alta, atualmente em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas.

Conforme informação divulgada pelo ministro, a Faixa 1 do programa, destinada a famílias com renda de até R$ 2.850, conta com juros anuais de 4% nas regiões Norte e Nordeste e de 4,25% nas demais regiões do país. Ele destacou que esses números demonstram o compromisso do governo em atender às necessidades habitacionais da população brasileira com condições acessíveis.

Metas ambiciosas para o Minha Casa, Minha Vida

A pasta das Cidades projeta a assinatura de 1 milhão de novos contratos do Minha Casa, Minha Vida somente neste ano. A meta ambiciosa é manter esse ritmo de contratações até 2027, visando entregar um total de 3 milhões de contratos assinados ao final do atual mandato presidencial.

Selic em patamar elevado e seus impactos

A taxa Selic, que serve como referência para a economia, permaneceu em 15% ao ano após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em janeiro. Este patamar é o mais alto desde julho de 2006.

Apesar da manutenção da Selic, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar cortes já na reunião de março, impulsionado por projeções de inflação mais controlada. Contudo, os juros altos já vêm impactando o mercado de crédito, com a taxa média cobrada pelos bancos em operações de crédito para pessoas físicas e empresas tendo subido significativamente.

Mercado de crédito sob pressão dos juros altos

Dados recentes indicam que a taxa média de juros no crédito bancário fechou dezembro em 47,2% ao ano, um aumento considerável que já afeta o acesso ao crédito. O volume total de crédito bancário, embora tenha desacelerado em comparação com o ano anterior, ainda registrou um crescimento de 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões.

Um dos reflexos diretos da alta dos juros é o aumento da inadimplência. Segundo o Banco Central, a taxa média de inadimplência no crédito bancário encerrou 2025 em 4,1%, um patamar superior aos 3% registrados no final de 2024, evidenciando a dificuldade crescente de muitos brasileiros em honrar seus compromissos financeiros.

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