Corrida da IA: Big techs planejam gastar US$ 600 bilhões em 2026, e investidores temem ‘bolha’ e queda na rentabilidade

Mercado financeiro em alerta com a avalanche de investimentos em Inteligência Artificial

A corrida pela supremacia em Inteligência Artificial (IA) promete ser um divisor de águas para o setor de tecnologia. Big techs planejam um gasto colossal de **US$ 600 bilhões em 2026** para impulsionar o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias de IA. No entanto, essa ambição desenfreada tem gerado apreensão entre investidores, que temem uma possível supervalorização do mercado e seus impactos na rentabilidade futura das empresas.

A escala dos investimentos anunciados, como os US$ 200 bilhões da Amazon e a possibilidade de duplicação dos gastos pela Alphabet (dona do Google), tem sido recebida com cautela. Essa movimentação, conforme análise de especialistas, pode indicar que a antecipação de receitas futuras ligadas à IA pode ter se tornado excessivamente cara, desconsiderando riscos inerentes ao mercado.

O receio é palpável. A forte exposição a essas novas tecnologias levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dos lucros e a própria viabilidade de modelos de negócios tradicionais, especialmente no setor de software e análise de dados. A recente queda nas ações de empresas como Amazon e Alphabet reflete essa preocupação crescente.

Apesar do otimismo geral em torno do potencial transformador da IA, o mercado financeiro demonstra um pragmatismo aguçado. A análise de Andrew Wells, diretor de investimentos da SanJac Alpha, aponta para um movimento de “redução de exposição”, indicando que a tese de crescimento da IA, embora válida, pode ter se tornado insustentável em seu ritmo atual, conforme divulgado pela agência Reuters.

Gigantes da tecnologia reagem à pressão do mercado

As ações de grandes nomes da tecnologia apresentaram reações distintas. Enquanto a Nvidia, gigante em chips para IA, subiu 7,87%, e a Microsoft avançou 1,90%, a Amazon viu suas ações caírem mais de 5% após o anúncio de seus planos de investimento. A Alphabet, por sua vez, recuou 2,51% após revelar a possibilidade de dobrar seus gastos com IA neste ano. A Meta Platforms também registrou queda de 1,31%.

Empresas de análise de dados sob fogo cruzado

O avanço de novos e mais poderosos modelos de IA tem gerado especial preocupação para empresas focadas em análise de dados. A Thomson Reuters sofreu uma queda recorde, e a RELX, listada em Londres, acumula perdas significativas, em uma semana marcada pela pressão sobre o setor. O índice S&P 500 de software e serviços chegou a cair quase 8% na semana, eliminando cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde 28 de janeiro.

Cautela e concentração de mercado: os novos receios dos investidores

“Manchetes que, no auge do otimismo com a IA, teriam levado as ações a novos recordes agora estão sendo interpretadas com muito mais cautela pelos investidores”, comentou à Reuters Carlota Estragues Lopez, estrategista de ações da St. James’s Place. A preocupação não se limita apenas ao retorno sobre o investimento, mas também ao risco de uma liderança de mercado altamente concentrada, restrita a poucas empresas de grande capitalização.

O lançamento de novos plug-ins por modelos de IA, como o Claude da Anthropic, tem intensificado a venda de ações de empresas de software e análise de dados. O London Stock Exchange Group, por exemplo, acumulou perdas expressivas por duas semanas consecutivas. Essa correção afetou os mercados globais, com o índice MSCI recuando 0,14% no período, e a Índia, em particular, vendo suas exportadoras de software perderem mais de 2% em um único dia, eliminando US$ 22,5 bilhões em valor de mercado.

O nervosismo dos investidores com as profundas mudanças que a IA pode trazer coincide com uma tendência crescente de penalizar as big techs que sinalizam gastos ainda maiores. A Alphabet, por exemplo, viu suas ações oscilarem após elevar seus planos de investimento. Conforme Aarin Chiekrie, analista de ações da Hargreaves Lansdown, “Tanto a Alphabet quanto a Amazon apresentaram desempenho operacional sólido, impulsionado por um crescimento em nuvem acima do esperado”, disse à Reuters, mas o mercado parece focar nos custos futuros da corrida da IA.

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