Mercado de petróleo ignora tensões geopolíticas e mantém preços sob controle em 2026.
Apesar das recentes declarações e ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo o Irã e a Venezuela, o mercado internacional de petróleo não tem apresentado disparadas significativas em seus preços. Analistas do setor apontam que um fator preponderante para essa estabilidade é o excesso de oferta global, que deve manter o barril cotado entre US$ 60 e US$ 65 ao longo de 2026.
Esses valores são considerados um patamar razoável, suficiente para viabilizar investimentos em projetos de exploração e produção, especialmente aqueles com custos mais elevados. A dinâmica de oferta e demanda, portanto, parece sobrepujar as incertezas geopolíticas no momento atual, como aponta o g1.
A situação no Brasil, com preços de petróleo mais baixos, apresenta um cenário de duas faces. Por um lado, contribui para conter a inflação, aliviando os custos de combustíveis como gasolina e diesel. Por outro, pode impactar negativamente as contas públicas, uma vez que parte considerável da arrecadação governamental provém de impostos sobre o setor de combustíveis e da exportação de petróleo.
O g1 detalha que as tensões recentes tiveram início com ações de Trump direcionadas à Venezuela. No começo de 2026, uma operação resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, abrindo caminho para um maior acesso dos EUA ao petróleo venezuelano. Trump chegou a afirmar que os EUA administrariam temporariamente o país e controlariam suas vendas de petróleo. O impacto inicial nos mercados foi sentido, com uma breve alta no barril Brent, que logo se reverteu.
Ameaças ao Irã e o impacto limitado no mercado.
Paralelamente, o Irã, um importante produtor e membro fundador da OPEP, também esteve no centro das atenções após ameaças de Trump. A proximidade do país com o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte marítimo de cerca de 20% do petróleo mundial, gerou temores de interrupções na oferta. Houve uma alta inicial nos preços do petróleo, mas esta foi temporária, com o recuo das ameaças americanas.
O diretor-geral da ANP, Artur Watt, comenta que, embora incertezas geopolíticas causem oscilações de curto prazo, ainda é incerto se haverá um impacto duradouro na oferta. Ele observa que o preço do petróleo já vinha em trajetória de baixa, e notícias pontuais costumam gerar volatilidade.
Excesso de oferta como principal fator de estabilidade.
Régis Cardoso, responsável pela cobertura de óleo e gás da XP, reforça que a expectativa de baixa nos preços se baseia em um consenso de que os balanços de oferta e demanda para 2026 indicam um excesso de oferta. Ele acrescenta que o risco associado ao Irã e ao Estreito de Ormuz já estaria precificado, limitando o impacto de quaisquer eventos futuros.
No caso da Venezuela, mesmo com um eventual controle das vendas de petróleo pelos EUA, os efeitos seriam de curto prazo. Investimentos bilionários e um aumento consistente da produção seriam necessários para mudanças duradouras, conforme apontado pelo g1. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), ainda destaca que o petróleo venezuelano é mais pesado e complexo de refinar, e a recuperação da produção levaria anos.
Impactos no Brasil: inflação controlada e contas públicas sob pressão.
Para o Brasil, a manutenção dos preços do petróleo na faixa de US$ 60 a US$ 65 gera efeitos mistos. Uma parte significativa da arrecadação pública está atrelada aos preços do petróleo, como royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras. Preços mais baixos tendem a reduzir essa receita, afetando a União, estados e municípios produtores.
Por outro lado, a estabilidade nos preços do petróleo contribui para conter a inflação no país, ao diminuir a pressão sobre os preços dos combustíveis. Essa relação, no entanto, não explica totalmente o preço da gasolina nos postos, que é influenciado pela política de preços da Petrobras e outros fatores, como impostos, que representam uma parcela significativa do valor final pago pelo consumidor.