Rebaixamento da Ponte Preta no Paulistão evidência crise estrutural e gestão falha que prejudicam o clube centenário
A queda da Ponte Preta para a Série A2 do Campeonato Paulista em 2026 não surpreende. Má administração, dívidas acumuladas e problemas extracampo foram decisivos para a queda do clube, decretada oficialmente após a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa no estádio do Canindé.
O desempenho em campo foi consequência natural da instabilidade que assola a Macaca há meses, com o time somando somente um ponto em sete rodadas, marcando apenas dois gols, ambos em uma mesma partida. O cenário caótico começou muito antes da competição, refletindo uma crise financeira e administrativa que atingiu o clube em cheio.
Desde meados de 2025, o elenco vem sofrendo com atrasos salariais, incluindo o recente acesso conquistado sob esforços dos jogadores. A diretoria, liderada pelo grupo político de Marco Antônio Eberlin, enfrentou sérios problemas que resultaram na perda de mais de dez atletas desde o início da pré-temporada, paralisação dos treinos por protestos e impedimentos para registrar reforços devido a um transfer ban.
Conforme informação divulgada pelo ge, a situação ultrapassa o campo e atinge a estrutura do clube, com problemas acumulados que minaram as chances da equipe de escapar do rebaixamento pela décima vez em sua história, terceiro somente desde 2022.
Gestão administrativa é principal responsável pela crise
O caos administrativo foi exposto com clareza em episódios envolvendo jogadores e decisões da diretoria. O caso mais simbólico foi o do meia Elvis, ídolo e capitão da equipe, que acionou a Justiça por R$ 8 milhões, ficou afastado de jogos e só retornou após acordo. Outro fato que evidencia o descontrole é o gol nos acréscimos que definiu o clássico contra o Guarani. O atacante Hebert, autor do gol, estava no elenco alvinegro até semanas antes, porém saiu sem estrear por conta do transfer ban e foi para o time rival.
Estes episódios refletem equívocos da gestão, que trouxe impactos negativos diretos no rendimento e estabilidade do time. Os responsáveis pelo futebol, incluindo comissão técnica e atletas, tiveram seu trabalho prejudicado pelo ambiente instável e incertezas, o que acaba penalizando o desempenho dentro das quatro linhas.
Declínio esportivo e financeiro acumula rebaixamentos e desgaste histórico
O rebaixamento atual formaliza uma realidade que se prolonga nos últimos anos. Apesar de conquistas recentes como os títulos da Série A2 de 2023 e da Série C de 2025, estas vitórias foram consequências de trajetórias de queda, confirmando um declínio na estrutura e no rendimento da Ponte Preta.
A queda para a divisão inferior em 2026 é o sexto rebaixamento no século para a Macaca e o segundo nas últimas quatro edições do Paulistão. Os números e fatos deixam claro que o clube não caiu por erros táticos isolados, mas por problemas que vão de fora para dentro do clube, e só uma reconstrução administrativa poderá interromper esse ciclo negativo.
Torcida e futuro: momento delicado na história da Ponte Preta
Este é o momento mais delicado nos 125 anos da Macaca, um clube tradicional que sofre a consequência dos conflitos políticos e financeiros que o atormentam. A paixão do torcedor ficou à prova após meses de tempo prolongado de notícias negativas e negativas dentro e fora do campo. A aceitação do rebaixamento traz uma amarga resignação, mas também a certeza de que mudanças profundas são urgentes.
Com a responsabilidade recair sobre os dirigentes, o futuro do clube dependerá da capacidade de reorganizar as finanças, recuperar atletas e restabelecer a confiança. A Ponte Preta precisará reconquistar a estabilidade para evitar que esse denso ciclo de quedas se agrave e prejudique ainda mais sua rica história.