TCU Avança em Apuração do Caso Master: Relatório Técnico Pronto para Análise Ministerial
A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) encerrou os trabalhos de inspeção e análise de documentos relacionados à liquidação do Banco Master e à atuação do Banco Central (BC) neste processo. O relatório final, que consolida as descobertas da equipe, está em fase de conclusão e deve ser encaminhado ao gabinete do ministro relator, Jhonatan de Jesus, nos próximos 10 a 15 dias.
Esta etapa representa um avanço significativo na apuração conduzida pelo TCU, que visa esclarecer todos os aspectos envolvendo a intervenção e o subsequente encerramento das atividades do Banco Master. A expectativa interna é que o gabinete do ministro relator finalize sua análise dos dados até o final de maio.
Após o recebimento do relatório técnico, o ministro Jhonatan de Jesus terá duas opções principais: solicitar informações adicionais para aprofundar a investigação ou, se considerar o material suficiente, elaborar seu parecer e encaminhá-lo para deliberação do plenário do TCU.
A criação do grupo de trabalho no TCU foi deflagrada após a decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o BC justificou a medida alegando que a instituição financeira não possuía condições de honrar seus compromissos financeiros, o que gerou preocupações no mercado e entre os órgãos fiscalizadores.
Caso Master: Investigação Abrange Atuação da Reag e Fundos de Investimento
O caso Master não se limita apenas à liquidação do banco. As apurações se estendem para a atuação da Reag, empresa envolvida na estruturação e administração de fundos de investimento. A relação entre o Banco Master e empresas ligadas à Reag já estava sob observação do Banco Central desde 2024, conforme informado pelo próprio órgão regulador.
No centro dessas investigações está a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente conhecida como Reag Trust DTVM, que atuava como administradora de fundos do grupo. A Polícia Federal também está envolvida, investigando se fundos associados à Reag foram utilizados em operações suspeitas.
Suspeitas de Fraude e Lavagem de Dinheiro Envolvendo Fundos do Grupo Master/Reag
A Polícia Federal apura indícios de que fundos ligados à Reag podem ter sido empregados em operações fraudulentas. As suspeitas incluem a movimentação irregular de recursos, a manipulação de resultados financeiros e a ocultação de riscos, levantando fortes suspeitas de **fraude e lavagem de dinheiro**. A atuação da Reag na gestão desses fundos é um ponto crucial nas investigações em andamento.
O Banco Central, em sua comunicação sobre a liquidação, detalhou que a decisão de intervir no Banco Master foi tomada devido ao descumprimento de regras legais e prudenciais. Essa negligência comprometeu a capacidade da instituição de operar de maneira segura e confiável, levando à sua dissolução.
Banco Central Decretou Liquidação Extrajudicial em Janeiro de 2026
Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinando o encerramento imediato de suas atividades. A medida, embora drástica, foi considerada necessária para proteger os depositantes e o sistema financeiro.
O órgão regulador ressaltou que, conforme previsto na legislação, os **bens dos controladores e ex-administradores** da instituição financeira tiveram suas disponibilidades bloqueadas. Essa ação visa assegurar que os responsáveis pela gestão do banco sejam acionados e que eventuais prejuízos possam ser ressarcidos.
Impacto da Liquidação e Próximos Passos para os Fundos sob Gestão
É importante notar que a liquidação decretada pelo Banco Central atinge especificamente a DTVM (a antiga Reag), mas **não afeta diretamente os fundos de investimento que estavam sob sua gestão**. Estes fundos permanecem ativos e deverão, em breve, buscar novos administradores para dar continuidade às suas operações e garantir a proteção dos cotistas.
A expectativa agora se volta para o desenrolar do processo no TCU. A análise do relatório técnico pelo ministro relator e a posterior decisão do plenário serão determinantes para definir os próximos passos em relação à atuação do Banco Central e à responsabilização de envolvidos no caso Master.