Balança Comercial Brasileira Alcança Superávit Histórico de US$ 4,32 Bilhões em Janeiro
O Brasil surpreendeu o mercado ao registrar um superávit de US$ 4,32 bilhões na sua balança comercial em janeiro. Este resultado representa um expressivo aumento de 85,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o saldo positivo foi de US$ 2,34 bilhões. O número alcançado em janeiro deste ano é o segundo melhor para o mês em toda a série histórica, iniciada em 1989, ficando atrás apenas de janeiro de 2024, que registrou US$ 6,2 bilhões.
O desempenho positivo ocorreu mesmo diante do cenário de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações brasileiras somaram US$ 25,15 bilhões em janeiro, com uma alta de 3,8% na média diária. Por outro lado, as importações registraram queda de 5,5%, totalizando US$ 20,1 bilhões na média diária.
A robustez do superávit da balança comercial brasileira em janeiro é um indicativo da capacidade do país em diversificar seus mercados e compensar eventuais perdas em setores específicos. A boa performance de commodities importantes para a pauta exportadora, aliada a uma gestão eficiente das importações, contribuiu significativamente para este resultado expressivo.
Apesar da persistência de algumas sobretaxas americanas, a estratégia brasileira de fortalecer laços comerciais com outras nações se mostrou eficaz. O governo destacou que o aumento nas exportações para países como a China e o México, além de regiões como o Oriente Médio, foi fundamental para mitigar o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa diversificação é vista como um pilar para a sustentabilidade do comércio exterior brasileiro no longo prazo.
Impacto do Tarifaço Americano e a Resposta Brasileira
O chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, que iniciou de forma gradual em abril do ano anterior com sobretaxas para diversos países, incluiu uma taxa específica de 50% para o Brasil em agosto. No entanto, uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo produtos como suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes, ajudou a amenizar o impacto inicial. A aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump levou à retirada de outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau, do regime de tarifas em novembro, mas parte da pauta de exportações brasileiras ainda permanece sob sobretaxa.
Como consequência direta das tarifas, as exportações brasileiras para os Estados Unidos apresentaram uma queda de 25,5% em janeiro deste ano, totalizando US$ 2,4 bilhões, contra US$ 3,22 bilhões no mesmo mês de 2025. Simultaneamente, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram 10,9%, alcançando US$ 3,07 bilhões. Essa dinâmica resultou em um déficit na balança comercial com os EUA de US$ 668 milhões no primeiro mês do ano.
Diversificação de Mercados Salva o Superávit Brasileiro
A capacidade do Brasil em expandir suas vendas externas para outros mercados foi crucial para a manutenção de um superávit robusto. As exportações para a China, por exemplo, registraram um crescimento expressivo de 17,4%, atingindo US$ 6,47 bilhões. O México também mostrou forte desempenho, com um aumento de 24,4% nas exportações brasileiras, totalizando US$ 411 milhões.
A região do Oriente Médio demonstrou um avanço notável, com exportações crescendo 31,6% para US$ 1,78 bilhão. Em contrapartida, houve recuos nas exportações para o Mercosul (-13,5%, para US$ 1,45 bilhão) e para a União Europeia (-6,2%, para US$ 3,92 bilhões). Esses dados evidenciam a estratégia bem-sucedida de buscar novas oportunidades comerciais e reduzir a dependência de mercados específicos.
Principais Produtos na Balança Comercial de Janeiro
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil em janeiro, destacaram-se os óleos brutos de petróleo, que somaram US$ 4,3 bilhões, apesar de uma queda de 7,8%. O minério de ferro registrou US$ 2,05 bilhões, com recuo de 8,6%. A carne bovina apresentou um resultado notável, com exportações de US$ 1,3 bilhão e um aumento expressivo de 42,5%. O café não torrado, por outro lado, sofreu uma queda de 23,7%, totalizando US$ 1,01 bilhão, enquanto a celulose registrou US$ 957 milhões, com queda de 6,1%.