Botafogo FC vai recorrer de decisão que determina perda de cotas para empresa de Adalberto Baptista em disputa judicial

Botafogo Futebol Clube anuncia recurso contra decisão judicial que adjudicou cotas para empresa do presidente do Conselho da Botafogo SA, em meio a polêmicas financeiras e societárias

O Botafogo Futebol Clube (BFC) comunicou que vai recorrer da decisão da 10ª Vara Cível de Ribeirão Preto, que determinou a adjudicação de 966.232 cotas para a Trexx, empresa de Adalberto Baptista, integrante do quadro societário da Botafogo SA. A adjudicação ocorreu em processo movido por dívidas referentes ao programa de intercâmbio do Instituto Botafogo, envolvendo a Border Intermediações de Negócios Esportivos LTDA e Paulo Henrique Francez.

O clube destaca que a dívida citada está prevista no Regime Centralizado de Execuções (RCE), programa que organiza a lista de credores para pagamento das obrigações financeiras. O BFC reforça ainda que, mesmo com eventual perda das cotas, manterá a posição majoritária na Botafogo SA, detendo inicialmente 60% das cotas contra 40% da Trexx.

Conforme informação divulgada pelo próprio Botafogo FC, há diversos recursos pendentes e processos judiciais correlatos que podem, caso decididos desfavoravelmente, provocar alterações mais substanciais na composição societária da SA. Em paralelo, o clube e Adalberto Baptista disputam o rompimento da sociedade na Câmara de Comércio Brasil Canadá, que arbitra conflitos empresariais.

Segue a cobertura detalhada da disputa societária, financeira e judicial que envolve o Botafogo FC, a empresa Trexx e a Botafogo SA.

Decisão judicial e argumentos do Botafogo FC

A decisão da 10ª Vara Cível determinou que a Trexx, por direito de preferência previsto no acordo societário com o BFC, recebesse as cotas vinculadas a uma dívida de R$ 966.231,97 em favor da Border Intermediações e Paulo Henrique Francez. As cotas foram vendidas simbólica e judicialmente pelo valor de R$ 1 real, configurando para a Trexx um gain relacionado à dívida.

O Botafogo apresentou embargos à adjudicação, apontando ilegitimidade passiva e suspeitas de nulidades processuais, contudo, a juíza Rebeca Mendes Batista ressaltou que o Código de Processo Civil atual extinguiu algumas possibilidades de recursos que o clube tentou usar, e classificou a atitude do BFC como de má-fé por tentar retardar o andamento do processo. Em consequência, foi aplicada multa de 5% do valor da causa, cerca de R$ 48,3 mil, somados a honorários advocatícios de 10% do valor da multa.

Implicações societárias para o Botafogo SA

Apesar do possível repasse parcial das cotas à Trexx, o Botafogo FC reforça que permanecerá como o sócio majoritário da Botafogo SA, onde detém 60% das cotas inicialmente. A transferência judicial reduz a diferença, mas não altera isso imediatamente, já que outros processos importantes podem mudar o cenário.

O club reforça que essa disputa financeira está relacionada a dívidas da Border e Paulo Henrique Francez originadas no projeto de intercâmbio do Botafogo Academy, que funcionava no CT do antigo clube Olé Brasil. Atualmente, o BFC não dispõe de outras fontes de receita ou bens penhoráveis, contando principalmente com as cotas da Botafogo SA e o estádio Santa Cruz como patrimônio.

Disputa judicial e não judicial entre BFC e Trexx

Além da questão judicial sobre as cotas, BFC e a empresa Trexx estão em litígio na Câmara de Comércio Brasil Canadá, órgão privado para resolução de conflitos empresariais. O clube alega que a gestão da Trexx não cumpre os repasses financeiros exigidos pela Lei da SAF, e que decisões importantes são tomadas unilateralmente, sem a participação efetiva do Botafogo FC.

Até o momento não há prazo definido para análise ou julgamento desse processo arbitral. Caso o clube consiga reverter a situação, além de destituir a Trexx, poderá recuperar metade do valor pago à Câmara, estimado em R$ 800 mil, valor esse que a Trexx se recusou a parcelar no início do processo.

Contexto e próximos passos

A determinação judicial referente à penhora das cotas ocorre porque o Botafogo não dispõe de outros bens para garantir débitos em cobrança judicial. A Juíza Rebeca Mendes Batista enfatizou o direito de preferência da Trexx no contrato societário, o que justifica a decisão de adjudicação.

O BFC ainda aguarda decisão dos recursos que serão interpostos para contestar a sentença, e acompanha também as outras ações judiciais que podem impactar o controle da Botafogo SA. A posição oficial do clube é de que permanece majoritário e que tem estratégias jurídicas para preservar sua participação acionária e a saúde financeira da entidade.

Assim, o desenrolar desses desdobramentos será crucial para o futuro da estrutura societária e administrativa do Botafogo Futebol Clube e sua empresa Botafogo SA, com implicações diretas no manejo de dívidas e na gestão do futebol profissional do clube.

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