Banco Central sinaliza corte de juros em março, mas mantém mistério sobre o tamanho do ciclo de redução da Selic
O Banco Central (BC) confirmou, em sua ata mais recente, a intenção de iniciar um ciclo de corte na taxa básica de juros, a Selic, já em março. Essa sinalização, esperada pelo mercado, visa responder a um conjunto de informações que incluem a dinâmica recente da inflação e a transmissão da política monetária. A taxa Selic permanece em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva.
A decisão de iniciar a flexibilização monetária em março foi tomada após análise de dados econômicos. O BC busca assegurar a convergência da inflação para a meta estabelecida, mesmo com a taxa de juros em patamares restritivos. A comunicação da autoridade monetária busca clareza, mas deixa em aberto o ritmo e a extensão dos futuros cortes.
O mercado financeiro projeta que a Selic possa cair para 14,5% ao ano já em março, com expectativas de chegar a 12,25% até o final de 2026. No entanto, o Banco Central enfatiza que a magnitude e a duração do ciclo de descompressão monetária serão definidas conforme novas informações forem incorporadas às análises.
A ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (3) detalha os motivos para a manutenção da taxa em 15% ao ano e a sinalização de corte futuro. Conforme informação divulgada pelo próprio BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou um “amplo conjunto de informações”, incluindo a melhora no cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação mais próximas da meta.
O que diz o Banco Central sobre o corte de juros
O Banco Central explicou que a decisão de sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em março se baseia na análise de dados econômicos, como a dinâmica recente da inflação e a transmissão da política monetária. A meta é garantir que a inflação convirja para o objetivo estabelecido, mesmo diante de pressões pontuais.
A autoridade monetária ressaltou que manterá a política monetária em níveis restritivos até que o processo de redução da inflação esteja consolidado e as expectativas de mercado estejam ancoradas. Essa cautela se deve à resiliência de fatores que pressionam os preços, como o dinamismo do mercado de trabalho.
“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta, dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”, informou o BC na ata.
Mercado financeiro e projeções para a Selic
Economistas do mercado financeiro esperam que o Banco Central inicie o ciclo de corte da Selic em março, reduzindo a taxa para 14,5% ao ano. As projeções indicam uma contínua redução, com a taxa podendo atingir 12,25% ao ano até o final de 2026.
Para definir a taxa de juros, o BC atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão alinhadas com as metas, é possível reduzir os juros. Caso contrário, o Copom tende a manter ou elevar a Selic. Atualmente, o objetivo central da inflação é de 3% ao ano.
As projeções de inflação para os próximos anos, segundo economistas do mercado financeiro, indicam que o índice ficará acima da meta central de 3% em 2026, 2027, 2028 e 2029. Essa perspectiva pode influenciar o ritmo e a duração do ciclo de cortes da Selic.
Cenário econômico e a importância da política monetária
O Banco Central destacou que um ambiente de melhora no cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação mais próximas da meta proporciona maior evidência sobre a transmissão da política monetária. Isso significa que a alta da taxa de juros tem tido o efeito desejado de conter a inflação.
A autoridade monetária também ressaltou a importância da moderação no crescimento da economia para o controle inflacionário. Um ritmo menor de expansão econômica tende a reduzir as pressões sobre os preços, especialmente no setor de serviços.
O BC reafirmou a necessidade de políticas fiscais e monetárias harmoniosas e previsíveis. A incerteza sobre a trajetória da dívida pública e o ritmo das reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia, exigindo cautela na condução da política monetária.
Ambiente externo e desafios para economias emergentes
A ata do Copom também abordou o cenário externo, considerado incerto devido à conjuntura e às políticas econômicas nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Esse cenário exige cautela de países emergentes em um contexto de tensão geopolítica.
O Banco Central monitora atentamente o debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho. Essa análise é crucial para avaliar como os níveis de ocupação impactam os rendimentos e, consequentemente, os preços na economia.
A instituição reforçou a convicção de que as políticas monetárias devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. A harmonização entre as políticas fiscal e monetária é vista como essencial para a estabilidade econômica e a convergência da inflação para a meta.