Dólar inicia o dia em baixa, com atenção à ata do Copom e aos dados da indústria
O dólar começou o dia desta terça-feira (3) em queda, registrando uma desvalorização de 0,27% e sendo cotado a R$ 5,2415. A moeda americana opera em um cenário de atenção aos próximos passos da política monetária brasileira e aos indicadores econômicos divulgados recentemente.
Na véspera, o dólar havia fechado em alta de 0,19%, cotado a R$ 5,2575, enquanto a bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão em valorização de 0,79%, atingindo os 182.793 pontos. O Ibovespa iniciava os negócios desta terça-feira às 10h, em meio a essas movimentações.
O mercado financeiro brasileiro aguarda o desenrolar de eventos importantes, como a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e os números da produção industrial. Esses dados fornecem pistas cruciais sobre a saúde da economia e as decisões futuras do Banco Central.
Conforme informações divulgadas pelo Banco Central, a ata do Copom indica que a autoridade monetária considera apropriado sinalizar o início de um ciclo de cortes de juros já a partir da reunião de março. Essa sinalização surge após a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva, um patamar que tem sido utilizado para combater a inflação.
Ata do Copom aponta para corte de juros em março
A ata da última reunião do Copom, publicada nesta terça-feira (3), revelou que o Banco Central avaliou ser oportuno indicar o começo de um ciclo de redução da taxa básica de juros a partir da próxima reunião, marcada para março. Essa decisão foi fundamentada na análise de um conjunto robusto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e sinais mais claros de que os juros elevados estão impactando os preços, embora com certa defasagem.
O documento se refere à reunião da semana passada, na qual a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano pela quinta vez seguida. O patamar elevado continua sendo o principal instrumento do BC para conter as pressões inflacionárias, que afetam de maneira mais severa a população de menor renda. A autoridade monetária reforçou que, se o cenário esperado se concretizar, pretende iniciar a flexibilização da política monetária em março, mas enfatizou que o processo será conduzido com cautela para garantir a convergência da inflação à meta no horizonte relevante.
No entanto, o Banco Central não especificou a intensidade nem a duração do ciclo de cortes na taxa Selic. Essas definições dependerão da incorporação de novas informações às análises do Comitê, permitindo uma avaliação mais precisa das condições econômicas ao longo do tempo. Entre os economistas do mercado financeiro, a expectativa é de que o primeiro corte ocorra justamente em março, com a Selic podendo cair para 14,5% ao ano, e a projeção para o fim de 2026 é de 12,25% ao ano.
Produção industrial mostra retração em dezembro
Em dezembro de 2025, a produção industrial brasileira apresentou uma queda. Na comparação com novembro, já com ajuste sazonal, a retração foi de 1,2%, o recuo mais acentuado desde julho de 2024. Esse resultado contrariou as projeções de 0,8% de avanço no período, indicando uma perda de fôlego na atividade industrial no final do ano.
Apesar da queda em relação a novembro, o setor registrou uma alta de 0,4% em comparação com dezembro de 2024, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de resultados negativos. Contudo, o desempenho ao longo de todo o ano de 2025 foi moderado, com um crescimento acumulado de 0,6%, inferior ao avanço de 3,1% observado em 2024 e ligeiramente acima dos 0,1% registrados em 2023.
No quarto trimestre de 2025, a produção industrial ficou 0,5% abaixo do nível observado no mesmo período do ano anterior. A média móvel trimestral em dezembro foi negativa em 0,5%, reforçando o sinal de perda de ritmo no encerramento do ano. Mesmo com as oscilações recentes, a produção industrial permanece levemente acima do patamar pré-pandemia, com um avanço de 0,6% em relação a fevereiro de 2020, mas ainda distante do seu recorde histórico de maio de 2011, estando 16,3% abaixo desse pico.
Cenário internacional: bolsas globais com movimentos mistos
Nos Estados Unidos, a divulgação do relatório Jolts, que mede o número de vagas abertas no mercado de trabalho, foi adiada devido à paralisação parcial do governo americano, que impactou o calendário de indicadores econômicos. Apesar de um início de semana em queda em Wall Street, os mercados americanos voltaram a subir, impulsionados por ganhos em empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial. O índice S&P 500 ganhou 0,54%, o Nasdaq avançou 0,55% e o Dow Jones subiu 1,06%.
Na Europa, o tom também foi de atenção redobrada, com divulgação de resultados de empresas e reuniões de bancos centrais. O índice STOXX 600 subiu 1,03%, o DAX alemão avançou 1,05%, o CAC 40 francês ganhou 0,67% e o FTSE 100 do Reino Unido somou 1,15%.
Em contrapartida, as bolsas asiáticas encerraram o pregão em forte queda, pressionadas pela desvalorização das commodities e por indicadores considerados fracos da economia chinesa. Xangai caiu 2,48%, o CSI300 recuou 2,13%, e Hong Kong perdeu 2,23%. O Nikkei do Japão caiu 1,2%, o Kospi da Coreia do Sul teve queda de 5,26%, o Taiex de Taiwan recuou 1,37% e o Straits Times de Cingapura caiu 0,26%.
Acordo Mercosul-União Europeia avança no Congresso
No cenário político doméstico, o Palácio do Planalto enviou ao Congresso Nacional o texto do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro no Paraguai. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos, um passo significativo para a integração econômica regional e internacional. A expectativa é de que o acordo traga benefícios a longo prazo para os setores produtivos brasileiros e para os consumidores, embora sua implementação completa demande tempo e negociações adicionais.