Grupo Fictor Pede Recuperação Judicial: O Que Aconteceu Após Fracasso na Compra do Banco Master e Crise Financeira

Grupo Fictor entra com pedido de recuperação judicial para holding e braço financeiro após tentativa frustrada de compra do Banco Master.

O Grupo Fictor, um conglomerado com negócios diversificados que incluem alimentos, energia e serviços financeiros, protocolou um pedido de recuperação judicial para suas empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A medida visa reestruturar dívidas que somam cerca de R$ 4 bilhões.

A crise financeira e de reputação do grupo se intensificou após a tentativa frustrada de adquirir o Banco Master em novembro do ano passado. O revés na negociação, que foi acompanhado pela liquidação do banco pelo Banco Central, impactou diretamente a liquidez e o acesso a crédito das subsidiárias financeiras do Fictor.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor iniciou suas atividades no setor de tecnologia, com foco em soluções de logística e gestão empresarial. Ao longo dos anos, o conglomerado expandiu suas operações, diversificando seus investimentos em diversos segmentos da economia brasileira.

A pedido de recuperação judicial, divulgado neste domingo (1º), busca equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros. A informação foi divulgada pelo próprio grupo, conforme apuração de veículos de comunicação. A empresa solicita um prazo de 180 dias para a suspensão de cobranças e bloqueios, visando criar um ambiente favorável para a negociação e garantir a continuidade de suas atividades.

Diversificação de Negócios e Expansão do Grupo Fictor

O Grupo Fictor organizou suas operações em três frentes principais: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura. No setor de alimentos, a empresa atua desde 2018 no comércio de commodities do agronegócio e possui fábricas, granjas e frigoríficos em cinco estados, com capacidade para abater até 150 mil aves por dia. Marcas como Dr. Foods, Fredini e Vensa fazem parte deste portfólio.

Em 2023, o grupo expandiu para o setor de energia com a criação da Fictor Energia, focada em fontes renováveis como usinas solares e hidrelétricas. Já em 2024, o Fictor ingressou no mercado de meios de pagamento com a FictorPay e de gestão de investimentos com a Fictor Asset, que administra cerca de R$ 966 milhões em 10 fundos.

A área de infraestrutura abrange o desenvolvimento de projetos imobiliários, logísticos e de geração de energia. Em 2024, a Fictor Alimentos S.A. (FICT3) foi listada na B3, mas suas ações acumulam queda expressiva desde o caso Banco Master.

O Impacto da Tentativa de Compra do Banco Master

Segundo o Grupo Fictor, a crise de liquidez está diretamente ligada ao episódio do Banco Master. Em novembro de 2025, um consórcio liderado por um sócio do grupo anunciou a intenção de adquirir o banco, mas a operação foi suspensa após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição. A empresa alega que a publicidade negativa e as especulações decorrentes deste fato atingiram duramente a reputação do grupo e a liquidez de suas subsidiárias financeiras.

O grupo enfatiza que, desde o início de suas operações, não houve atrasos em seus compromissos. Diante da crise, implementaram um plano de reestruturação que incluiu a redução de sua estrutura física e de pessoal, para proteger os colaboradores e agilizar o pagamento de verbas rescisórias.

Visibilidade e Patrocínios Esportivos

Nos últimos anos, o Grupo Fictor buscou aumentar sua visibilidade através de patrocínios esportivos. Em 2025, firmou um contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade. Além disso, tornou-se patrocinador master das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca na camisa do time profissional.

A estratégia no esporte visa associar a marca a projetos de formação de atletas e ampliar o reconhecimento nacional. Apesar da expansão internacional com escritórios em Miami e Lisboa, e do número expressivo de empregos gerados (mais de 10 mil), o pedido de recuperação judicial demonstra os desafios financeiros enfrentados pelo conglomerado.

Detalhes do Pedido de Recuperação Judicial

O pedido de recuperação judicial foi protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para a Fictor Holding e Fictor Invest. O objetivo declarado é evitar que empresas economicamente viáveis sejam prejudicadas pelas restrições inerentes a um processo recuperacional. As demais subsidiárias do grupo, que operam em setores como alimentos e energia, não estão incluídas no pedido e devem manter suas rotinas e contratos normais.

O grupo afirma que pretende quitar suas dívidas sem nenhum deságio, ou seja, sem a necessidade de oferecer descontos significativos. A empresa busca, com a recuperação judicial, reorganizar suas finanças e assegurar sua sustentabilidade a longo prazo, mesmo diante do cenário adverso gerado pela crise de liquidez.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *