Kevin Warsh é o Escolhido de Trump para Liderar o Federal Reserve, em Movimento que Pode Impactar a Economia Global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação do economista Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. A nomeação, que ainda depende da aprovação do Senado, visa encerrar um período de incertezas em torno da sucessão de Jerome Powell, atual chefe da instituição e alvo frequente de críticas por parte de Trump.
A decisão de Trump de indicar Warsh, um nome com experiência prévia no próprio Fed, sinaliza uma estratégia para influenciar a política monetária americana, especialmente em relação às taxas de juros. Powell tem sido pressionado pelo presidente a promover cortes mais agressivos, visando estimular a economia, uma postura que diverge da cautela usualmente adotada pelo banco central.
A nomeação de Kevin Warsh ocorre em um cenário de volatilidade nos mercados financeiros internacionais. A possibilidade de uma liderança no Fed mais inclinada a juros baixos gerou reações imediatas, com quedas em bolsas asiáticas e europeias e oscilações nos mercados de títulos e moedas.
As informações sobre a indicação de Warsh foram divulgadas após reuniões entre o economista e o presidente Trump, conforme apontado por fontes próximas às negociações. A expectativa agora se volta para a sabatina no Senado, onde Warsh precisará defender seu currículo e suas propostas para a condução da política monetária dos EUA. Conforme noticiado, a Bloomberg já havia apontado Warsh como um dos principais nomes considerados por Trump.
O Perfil de Kevin Warsh: Experiência e Visão para o Fed
Kevin Warsh possui uma sólida formação acadêmica e profissional. Ele é formado em políticas públicas com ênfase em economia e estatística pela Universidade Stanford e possui graduação em direito pela Universidade Harvard. Sua carreira inclui passagens pelo setor financeiro, com atuação no Morgan Stanley, e pelo governo George W. Bush, onde serviu como assessor especial para assuntos econômicos e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.
Sua experiência mais relevante para o cargo de presidente do Fed vem de sua atuação como membro do Conselho de Governadores, onde foi o mais jovem a assumir a função aos 35 anos, servindo entre 2006 e 2011. Durante seu mandato, Warsh representou o Fed em fóruns internacionais como o G20 e atuou como emissário em países asiáticos, demonstrando uma perspectiva global sobre questões econômicas.
Reação dos Mercados e Expectativas sobre a Política de Juros
A notícia da possível indicação de Warsh para o comando do Federal Reserve provocou reações imediatas nos mercados globais. Na madrugada desta sexta-feira, o principal índice da MSCI para ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, registrou queda de até 1,3%, a maior em um mês. Em Hong Kong, o índice de empresas chinesas recuou 2,1%, e o Nikkei 225, no Japão, caiu 0,1%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq também apresentaram quedas.
O índice do dólar subiu 0,3%, e o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos avançou 4 pontos-base, indicando uma busca por segurança em meio à incerteza. No mercado de apostas online, a probabilidade de Warsh ser escolhido por Trump para liderar o Fed saltou de 35% para 92%, refletindo a confiança dos apostadores na concretização da indicação.
Pressões de Trump sobre o Fed e o Futuro de Jerome Powell
Donald Trump tem sido vocal em suas críticas à política de juros do Federal Reserve, que cortou as taxas três vezes em 2025, mas as manteve entre 3,50% e 3,75%. O presidente americano considera as taxas muito elevadas e acredita que elas prejudicam a economia e a segurança nacional. Trump chegou a chamar o atual presidente do Fed, Jerome Powell, de “idiota”, defendendo que os juros deveriam ser de dois a três pontos percentuais mais baixos.
Powell, cujo mandato como presidente termina em maio, ainda tem um mandato como membro do Conselho de Governadores até 2028. Além das críticas públicas, o governo Trump também abriu uma investigação criminal contra Powell por gastos em reformas na sede do Fed, uma ação que o presidente do banco central classificou como um “pretexto” para pressioná-lo e que ameaça a independência da instituição. A investigação, conduzida pelo Departamento de Justiça, levantou preocupações sobre a autonomia do Fed, inclusive entre senadores republicanos.
Outros Nomes Considerados e a Estratégia de Trump
Antes da indicação de Kevin Warsh, outros nomes foram avaliados por Donald Trump para o comando do Federal Reserve. Rick Rieder, da BlackRock, chegou a ser apontado como um dos favoritos, assim como o dirigente do Fed Christopher Waller e o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett. No entanto, a reunião de Warsh com Trump na quinta-feira parece ter solidificado sua posição como principal candidato.
Trump também mencionou que considerou Kevin Hassett para a posição, mas decidiu mantê-lo na Casa Branca por considerar seu papel estratégico na equipe econômica. O presidente elogiou o trabalho de Hassett, afirmando que “se você não pode fazer melhor, não tente consertar”, agradecendo publicamente ao assessor por seu desempenho. Essa decisão reforça a visão de Trump em manter aliados próximos em posições-chave durante seu governo.