Relação Tumultuada Entre Trump e Powell: Insultos, Pressão e a Luta Pela Independência do Fed
A relação entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, foi marcada por uma tensão pública constante e ataques verbais por parte do chefe do Executivo. Essa disputa colocou em xeque a independência do órgão, equivalente ao Banco Central dos Estados Unidos, fundamental para a estabilidade econômica.
Powell, em sua gestão, buscou manter a impessoalidade e a frieza valorizadas pelo mercado, um comportamento que guiava a relação com representantes anteriores. Contudo, a pressão de Trump se intensificou, levando Powell a acusar o governo de usar uma investigação sobre gastos com reformas em um edifício como um mero “pretexto” para intimidação política.
O ex-presidente americano anunciou, em novembro de 2018, sua indicação para a presidência do Fed, o economista Kevin Warsh, como substituto de Powell. Desde 2025, Trump vinha pressionando Powell a cortar as taxas de juros de forma agressiva, enquanto o chefe do Fed mantinha a independência da instituição e priorizava o controle da inflação, gerando um conflito de prioridades.
Acompanhe os principais episódios dessa disputa, organizada cronologicamente, que abalou a confiança na autonomia do Banco Central americano. Conforme divulgado em reportagens da época, essa tensão teve repercussões significativas no cenário econômico e político dos Estados Unidos.
A Escalada dos Ataques e a Defesa da Independência do Fed
Desde o início, Trump criticou as decisões do Fed de manter os juros estáveis, afirmando que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”. Em uma ocasião, durante o chamado “Dia da Libertação”, ele defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação. No primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros.
A resposta de Powell foi firme, ressaltando que as decisões sobre a política monetária dependeriam unicamente de dados econômicos. Em comunicado, ele reafirmou que o Fed age “conforme determina a lei… isento de influência política”. Essa postura de Powell demonstrou um compromisso com a autonomia do órgão, mesmo diante da forte pressão presidencial.
Insultos e Acusações: A Tensão Atinge Novos Patamares
Trump intensificou seus ataques em redes sociais, chamando Powell de “burro” e “teimoso”, e chegou a sugerir que o Congresso deveria agir contra ele. Em resposta, durante uma audiência no Congresso, Powell ignorou os ataques pessoais e declarou que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária. Essa declaração reforçou a independência do Fed.
Posteriormente, Trump elevou o tom, chamando Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”. Ele referiu-se a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”, prevendo que ele sairia do cargo em poucos meses. A Casa Branca chegou a classificar Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta estabelecida.
Investigação Criminal e a Acusação de Intimidação Política
O conflito atingiu um novo patamar com a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça (DOJ) contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed. Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
A resposta de Powell foi contundente. Em um vídeo, ele acusou o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política. Powell afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”. Essa declaração sublinhou a importância da independência decisória do Fed.
O Futuro do Fed: Sucessão e a Busca por Estabilidade
Em meio a essa turbulência, Trump chegou a dizer à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir. Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump chamou Powell de “idiota” e disse que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”. O ex-presidente também afirmou que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
Por fim, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato terminava em maio, com Kevin Warsh sendo o principal cotado. Essa indicação representou um ponto de virada na gestão do Banco Central americano, buscando restaurar a confiança e a estabilidade após um período de intensos conflitos com o Executivo.