Café lidera alta da cesta básica em 2025 e deve seguir caro em 2026, aponta indústria
O café, item indispensável no dia a dia de muitos brasileiros, registrou a maior alta entre os componentes da cesta básica em 2025. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o preço do grão sofreu uma valorização expressiva, impactando diretamente o bolso do consumidor.
Apesar da expectativa de uma safra mais abundante em 2026, o cenário para a queda nos preços do café não é animador no curto prazo. A presidente da Abic, Pavel Cardoso, explica que os estoques globais do grão estão significativamente baixos, e a produção deste ano será crucial para a recomposição dessas reservas.
O setor de café torrado viu seu faturamento crescer 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões. Esse aumento se deve, em grande parte, à elevação dos preços praticados nos supermercados, que refletem os custos maiores na origem. Em cinco anos, o valor pago pelo consumidor subiu 116%.
Conforme informação divulgada pela Abic, a alta nos preços do café é resultado de uma combinação de fatores climáticos adversos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas e temperaturas elevadas, diminuindo a oferta do grão no mercado.
Por que o café ficou mais caro?
Diversos elementos contribuíram para o encarecimento do café em 2025. Um dos principais foi a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que elevou o preço do grão na bolsa de Nova York, referência mundial para negociações. Além disso, os baixos estoques globais, decorrentes de quatro anos seguidos de quebra de safra nos principais países produtores devido a problemas climáticos, agravaram a situação.
A queda na produção, especialmente do café arábica, a variedade mais consumida no Brasil, também foi um fator crucial. Problemas climáticos como secas e geadas impactaram diretamente a oferta. A indústria também buscou repassar os aumentos de custos para os consumidores, embora, segundo Pavel Cardoso, o repasse ainda seja menor do que a alta real desde 2021, estimada em cerca de 70%.
Expectativas para 2026: Safra recorde e estoques em foco
Apesar dos desafios, o presidente da Abic avalia que o Brasil deve colher uma boa safra em 2026. A menor intensidade de eventos climáticos extremos, como o fenômeno La Niña, permitiu condições mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras. No entanto, para que haja uma queda significativa nos preços, seriam necessárias ao menos duas safras consecutivas de boa produção.
O foco principal da indústria neste momento é a recuperação dos estoques mundiais. Com mais grãos disponíveis, a tendência é de menor volatilidade nos preços, o que pode abrir espaço para promoções e incentivar a recuperação do consumo. O consumidor brasileiro, conhecido por sua fidelidade à bebida, tende a aumentar suas compras diante de qualquer redução nos preços.
Queda pontual em dezembro e o futuro do café em cápsulas
Em dezembro, uma leve queda nos preços do café já foi observada. O café tradicional extraforte, por exemplo, ficou 7,1% mais barato em relação a novembro, refletindo a redução no preço da matéria-prima repassada pela indústria. O café em cápsulas apresentou uma queda ainda mais expressiva, com redução de 13,2% em dezembro e 16,8% em relação a janeiro de 2025.
Essa diferença, segundo Cardoso, se deve à quantidade de café utilizada por quilo comercializado nas cápsulas, que é distinta dos pacotes tradicionais. A indústria também pode ter fechado acordos para oferecer preços mais baixos a partir de abril, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de café robusta e pela queda nas cotações.