BRB pode ter que provisionar até R$ 5 bilhões devido a operações com Banco Master, aponta Banco Central
O Banco de Brasília (BRB) pode ter que separar uma reserva de recursos que pode atingir até R$ 5 bilhões para cobrir eventuais perdas em operações realizadas com o Banco Master. Esta estimativa foi revelada pelo diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, em depoimento prestado à Polícia Federal.
O valor é consideravelmente superior aos R$ 2,6 bilhões inicialmente solicitados pelo BC à instituição financeira. A necessidade de um provisionamento maior surge após a análise da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu resgatar do Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC em novembro.
Aquino explicou que, devido à qualidade dos ativos, o BC está ponderando a necessidade de uma provisão adicional de R$ 2,2 bilhões. Isso eleva o montante total a ser provisionado pelo BRB para mais de R$ 4 bilhões, com a probabilidade de ultrapassar os R$ 5 bilhões em ajustes no balanço da instituição.
O depoimento de Aquino à Polícia Federal ocorreu no final de dezembro e faz parte de um inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura, entre outros pontos, suspeitas de fraudes nas transações entre o BRB e o Banco Master. O caso ganhou destaque após a liquidação do Banco Master e a prisão de seu proprietário, o empresário Daniel Vorcaro, em novembro, sob suspeita de fraudes bilionárias. Vorcaro foi posteriormente liberado, mas responde a medidas cautelares.
Histórico de preocupações e veto à aquisição
O Banco Central já havia demonstrado preocupação com as operações do BRB com o Banco Master desde março, quando o BRB anunciou a intenção de comprar a instituição. Na época, o BC rejeitou a aquisição após analisar a capacidade financeira do BRB para realizar o negócio. As sinalizações de alerta sobre as transações se intensificaram ao longo do ano.
Defesa de Daniel Vorcaro contesta informações
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito negociadas com o BRB foram efetivamente substituídas por outros ativos. Segundo os advogados, todos os ativos estão regularmente registrados no balanço do Banco Master, foram auditados e precificados conforme metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC. A defesa alega que o BRB aprovou a aquisição dos ativos dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época.
A defesa de Vorcaro lamentou a divulgação de trechos de depoimentos fora de contexto e reafirmou a colaboração integral com as autoridades. Confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações equivocadas sobre a realidade das transações.
BC e BRB não comentam o caso
Procurados pela reportagem, o Banco Central e o BRB não forneceram um comentário imediato sobre o depoimento do diretor Ailton Aquino e as estimativas de perdas divulgadas. As investigações sobre as operações entre as duas instituições financeiras seguem em andamento.