Azul busca reestruturação financeira com novo empréstimo de US$ 1 bilhão para sair da recuperação judicial nos EUA
A Azul anunciou nesta terça-feira (28) o lançamento de uma oferta privada de títulos de dívida com vencimento em 2031. Esta operação faz parte do plano de reestruturação financeira da companhia, que busca encerrar o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11.
O objetivo principal da emissão é utilizar os recursos para quitar dívidas emergenciais contraídas durante o período de recuperação judicial. Adicionalmente, a companhia visa fortalecer seu caixa e dar mais fôlego financeiro para suas operações de longo prazo.
Este anúncio ocorre cerca de vinte dias após as ações da Azul terem sofrido uma desvalorização expressiva, chegando a cair mais de 70% na bolsa de valores. No início de janeiro, a queda acumulada já atingia 90%, refletindo as incertezas do mercado.
Conforme comunicado ao mercado, os novos títulos serão emitidos por uma subsidiária da Azul sediada nos Estados Unidos, a Azul Secured Finance LLP. Contudo, a operação conta com a garantia da companhia aérea brasileira e de outras empresas do grupo.
Detalhes da Operação e Garantias Oferecidas
O dinheiro captado com a venda dos títulos será primordialmente destinado ao pagamento de um financiamento emergencial obtido durante o processo de recuperação judicial. Caso haja sobra de recursos, eles serão aplicados no apoio à reorganização financeira de longo prazo da Azul.
Para assegurar o pagamento aos investidores, a Azul ofereceu como garantia receitas provenientes de áreas consideradas estratégicas para o negócio. Entre elas estão o programa de fidelidade Azul Fidelidade, a Azul Viagens e a Azul Cargo. Além disso, marcas, propriedades intelectuais e participações em subsidiárias também foram oferecidas como colateral.
A Azul informou que a conclusão desta oferta está sujeita às condições de mercado. A companhia ressaltou que não há garantia de que a operação será efetivamente finalizada, dependendo assim da receptividade dos investidores e do ambiente econômico.
Os títulos emitidos não serão comercializados ao público no Brasil, nem registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa reitera que segue cumprindo as etapas do plano de recuperação, mantendo suas operações regulares e o compromisso com a transparência.
Avaliações de Risco e Perspectiva Estável
Em paralelo ao anúncio do novo empréstimo, agências internacionais de classificação de risco atualizaram suas avaliações sobre a Azul. A Moody’s atribuiu nota B2 à companhia e aos novos títulos, enquanto a Fitch Ratings concedeu o rating esperado B-.
Ambas as notas, B2 e B-, são classificadas como de **alto risco especulativo**. No entanto, as agências destacaram uma **perspectiva estável** para a companhia neste momento. Segundo a Azul, essas notas refletem o andamento positivo do plano de reestruturação aprovado no Capítulo 11 de Falências nos Estados Unidos.
As avaliações indicam que, embora ainda existam riscos financeiros envolvidos, a situação da empresa é considerada estável. A Azul reforça seu compromisso com a recuperação e a busca por uma saída sustentável do processo de recuperação judicial, visando fortalecer sua posição no mercado aéreo.