Relógio do Juízo Final Avança: Inteligência Artificial e Crises Globais Sinalizam Proximidade da Destruição Mundial

Relógio do Juízo Final Se Aproxima da Meia-Noite em Meio a Ameaças Globais Crescentes

A organização sem fins lucrativos sediada em Chicago, EUA, que criou o icônico Relógio do Juízo Final em 1947, voltou a ajustar os ponteiros, indicando um perigo cada vez maior para a humanidade. Fundada por cientistas renomados como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer em 1945, a entidade visa alertar o público sobre a iminência de uma catástrofe global provocada pela ação humana.

Desta vez, as preocupações centrais giram em torno da integração não regulamentada da inteligência artificial em sistemas militares e seu potencial para facilitar a criação de ameaças biológicas. Além disso, o uso indevido da IA na disseminação de desinformação em escala global é um fator crítico, somado aos desafios persistentes impostos pelas mudanças climáticas.

Alexandra Bell, especialista em política nuclear e presidente da organização, declarou à Reuters que o Relógio do Juízo Final reflete riscos globais e uma notável falha na liderança mundial. Ela enfatizou que abordagens autoritárias e imperialistas apenas aceleram a contagem regressiva para a meia-noite.

Este é o terceiro ajuste nos últimos quatro anos, aproximando ainda mais os ponteiros do ponto de não retorno. Conforme Bell, “Em termos de riscos nucleares, nada em 2025 apresentou tendência na direção certa”.

Riscos Nucleares Elevados e Deterioração Diplomática

A especialista destacou a fragilidade das estruturas diplomáticas de longa data, que estão sob pressão ou em colapso. A ameaça de testes nucleares explosivos ressurgiu, as preocupações com a proliferação de armas nucleares aumentam, e a presença de operações militares sob a sombra de armas nucleares eleva o risco de escalada. “O risco de uso nuclear é insustentável e inaceitavelmente alto”, alertou Bell.

Entre os focos de tensão citados estão a guerra contínua da Rússia na Ucrânia, os bombardeios de Israel contra o Irã e os confrontos na fronteira entre Índia e Paquistão. As tensões na Península Coreana e as ameaças da China a Taiwan também foram mencionadas, assim como o aumento das tensões no Hemisfério Ocidental.

O Futuro Incerto dos Tratados Nucleares e Testes de Armas

O tratado New START, o último pacto nuclear remanescente entre EUA e Rússia, expira em 5 de fevereiro. A proposta do presidente russo, Vladimir Putin, para estender os limites de ogivas nucleares por mais um ano, que restringe ambos os países a 1.550 ogivas, ainda aguarda resposta formal dos EUA. Analistas de segurança ocidentais estão divididos sobre a aceitação dessa oferta.

Em outubro, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retomada dos testes de armas nucleares, após mais de três décadas de interrupção. A China, em particular, tem um interesse estratégico em um retorno em larga escala a esses testes, dado seu esforço contínuo para expandir seu arsenal nuclear, segundo Bell.

A Nova Ordem Mundial e a Ameaça Hipersônica

As ações de Trump alteraram a ordem mundial, com o envio de forças para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro e ameaças a outros países latino-americanos. A Rússia, por sua vez, lançou uma invasão em larga escala na Ucrânia em 2022, utilizando armamentos como o míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear. A implantação deste míssil em Belarus aumenta a capacidade russa de atingir alvos em toda a Europa.

A combinação de riscos nucleares elevados, a ascensão da inteligência artificial em contextos militares e a propagação de desinformação criam um cenário global complexo e perigoso, que justifica o avanço do Relógio do Juízo Final e a urgência de ações globais coordenadas.

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