Copom em 2026: Juros em 15%? Mercado Aposta em Manutenção da Selic na Primeira Reunião do Ano, Maior Nível em Quase Duas Décadas

Copom deve manter juros em 15% na primeira reunião de 2026, aponta mercado financeiro

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 2026, marcada para esta quarta-feira (28), deve resultar na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Esta é a expectativa da maioria dos economistas do mercado financeiro, o que configuraria a quinta vez seguida que o Copom decide por manter os juros inalterados neste patamar, o mais elevado em quase 20 anos.

O anúncio da decisão, que impacta diretamente o custo do crédito e o controle da inflação, está previsto para ocorrer após as 18h. A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para tentar frear a alta dos preços, cujos efeitos são sentidos de forma mais intensa pela população de menor renda.

A projeção indica que o ciclo de cortes na taxa Selic só deve começar em março deste ano, com uma possível redução para 14,5% ao ano. Essa cautela se deve à estratégia do Banco Central de olhar para as projeções futuras da inflação, e não apenas para os dados correntes, pois as alterações na Selic levam tempo para surtir efeito pleno na economia, entre seis e 18 meses.

Conforme informação divulgada pela imprensa, o Banco Central tem como meta de inflação para 2026 o patamar de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. No entanto, com a inflação permanecendo acima da meta por seis meses seguidos em junho, o BC precisou emitir uma carta pública explicando os motivos. A instituição já está focando suas análises no terceiro trimestre de 2027 para definir suas próximas ações.

Economia aquecida justifica cautela do Copom

A estratégia atual do Banco Central para conter a inflação inclui uma desaceleração controlada do crescimento econômico. A lógica é que um ritmo menor de expansão da economia gera menos pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços. A ata da última reunião do Copom, em dezembro, indicou que o chamado “hiato do produto” segue positivo, o que significa que a economia opera acima do seu potencial sem gerar pressões inflacionárias significativas.

Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, reforça a visão de conservadorismo e cautela por parte do Copom em janeiro. “O comitê tem atuado de uma forma muito técnica, o que é positivo, e a manutenção vem em linha com os dados de atividade econômica divulgados na semana passada, do índice de atividade econômica vindo acima do esperado. Temos uma economia ainda crescendo, o mercado de trabalho bastante aquecido, com desemprego nas mínimas”, declarou.

Mercado aguarda consolidação de cenário para iniciar cortes

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também prevê a manutenção da taxa de juros em 15% ao ano. Segundo ele, o Banco Central deve aguardar uma confirmação dos sinais de melhora nos indicadores econômicos antes de iniciar o processo de corte da Selic. “Apesar da melhora gradual do quadro inflacionário, entendemos que o Comitê deve privilegiar uma condução prudente, assegurando que o início do ciclo de cortes ocorra em um ambiente mais consolidado, com maior conforto em relação à dinâmica prospectiva da inflação e à ancoragem das expectativas”, afirmou.

A decisão do Copom nesta quarta-feira será um termômetro importante para as expectativas do mercado sobre o futuro da política monetária no Brasil, especialmente em relação ao ritmo e momento dos futuros cortes na taxa Selic, que busca equilibrar o controle da inflação com o dinamismo da economia.

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