Apple processada nos EUA por supostamente violar lei antitruste e roubar inovação de desenvolvedor
A gigante da tecnologia Apple está no centro de um novo escândalo. Uma empresa de software acusa a Maçã de um comportamento predatório, alegando que a Apple copiou uma tecnologia inovadora desenvolvida por ela e a integrou em seu próprio sistema operacional, prejudicando a concorrência. Este caso levanta sérias questões sobre as práticas anticompetitivas da Apple no mercado de aplicativos e dispositivos.
O processo, movido pela Reincubate, sediada em Londres, detalha como a Apple teria agido para sufocar uma startup promissora. A empresa alega que a Apple não apenas copiou sua tecnologia, mas também a incentivou a desenvolvê-la, criando uma falsa sensação de parceria e confiança antes de agir de forma desleal.
A Reincubate descreve essa tática como “Sherlocking”, um termo que se refere ao padrão da Apple de se apropriar e eliminar softwares inovadores criados por terceiros. Este episódio pode ter repercussões significativas para a imagem da Apple e para as regulamentações do mercado de tecnologia.
A empresa busca reparação por danos e uma ordem judicial para impedir que a Apple continue com o que considera práticas ilegais. O caso promete ser um marco importante na discussão sobre o poder das grandes empresas de tecnologia e a proteção de pequenos desenvolvedores. Conforme informações divulgadas, representantes da Apple não responderam imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.
O que é o aplicativo Camo e como a Apple o teria copiado?
O cerne da disputa é o aplicativo Camo, lançado pela Reincubate em 2020. Este software permite que usuários utilizem seus smartphones como webcams de alta qualidade para videochamadas em computadores, oferecendo uma alternativa superior às webcams convencionais. A Reincubate investiu tempo e recursos significativos no desenvolvimento e aprimoramento do Camo para a plataforma iOS.
De acordo com o processo, a Apple teria “induzido e incentivado ativamente” a Reincubate a desenvolver e comercializar o Camo. A gigante de Cupertino teria cultivado uma relação de confiança com a empresa, incentivando o compartilhamento de detalhes técnicos, versões beta e dados de mercado. Esse acesso privilegiado teria sido usado pela Apple para desenvolver sua própria funcionalidade.
“Sherlocking”: a tática da Apple de “roubar” inovações
A Reincubate classificou a conduta da Apple como um exemplo de “Sherlocking”. Este termo, segundo a empresa, descreve o padrão da Apple de se apropriar e extinguir softwares inovadores desenvolvidos fora de seu ecossistema. Diferentemente de outros casos, onde a Apple agiria de forma mais passiva, neste episódio, a acusação é de que a Apple “cultivou ativamente uma relação de confiança”.
O processo detalha que a Apple se aproveitou desse acesso privilegiado para orientar o desenvolvimento de sua própria solução, a “Câmera de Continuidade”, integrada ao iOS em 2022. A Reincubate argumenta que a Apple usou informações obtidas sob o pretexto de colaboração para lançar um produto concorrente, eliminando a necessidade do aplicativo original.
Alegações de infração de patente e pedido de indenização
Além das alegações de violação da lei antitruste, o processo também acusa a Apple de infringir patentes detidas pela Reincubate. A empresa de tecnologia busca uma indenização monetária de valor não especificado, além de ordens judiciais que impeçam a Apple de continuar com as práticas consideradas ilícitas. O caso destaca a complexa relação entre grandes plataformas e desenvolvedores independentes.
A Reincubate sustenta que a Apple criou uma série de “obstáculos para desequilibrar o jogo”, infringindo propriedade intelectual com o objetivo de impedir a concorrência. A empresa alega que, em vez de competir de forma justa, a Apple usou sua posição dominante para eliminar rivais. O desfecho deste processo pode estabelecer importantes precedentes para a indústria de tecnologia.