América-SP batalha para voltar às competições profissionais, enfrenta dívidas elevadas e mantém estádio quase abandonado enquanto vizinho Mirassol cresce no futebol paulista
O América Futebol Clube de São José do Rio Preto, o América-SP, enfrenta um cenário desafiador em sua trajetória recente. Distante apenas 22 quilômetros do Mirassol, clube que hoje alcança destaque nacional com a estreia na Conmebol Libertadores, o América luta para sobreviver na quinta divisão do Campeonato Paulista.
Com o estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, que já foi palco de jogos marcantes com público de quase 40 mil pessoas e uso por grandes times e até a Seleção Brasileira, o América vive uma realidade oposta: o local está quase abandonado e sem renda expressiva. Com mais de 140 processos trabalhistas e uma dívida que pode ultrapassar os R$ 30 milhões, o clube busca patrocínios para viabilizar sua participação na Série A4 e a retomada gradual do futebol profissional.
O presidente Marcos Vilela, que assumiu em outubro de 2024, destaca o esforço para reestruturar o clube, limpar sua situação fiscal e judicial e melhorar a posição financeira baseada no crescimento esportivo, embora ainda enfrente um caixa zerado. O América-SP, que lançou um projeto de SAF em 2023 sem êxito, segue sendo um clube associativo e tenta manter a história de mais de 44 participações na elite do Campeonato Paulista.
Enquanto o Mirassol avança com sua profissionalização consolidada, o América-SP resiste e tenta transformar o Teixeirão em arena moderna para garantir seu futuro, mesmo com poucos jogos oficiais e a manutenção onerosa da infraestrutura.
Histórico e crise financeira de um gigante adormecido do interior paulista
Fundado em 1946, o América-SP construiu uma história respeitada no futebol paulista, com 44 participações na elite do estadual e participações em séries nacionais A e B. Porém, a partir dos problemas políticos internos e financeiros, o clube caiu em uma crise profunda que o fez disputar a quinta divisão em 2026, após um ano sem jogos profissionais oficiais.
Segundo relatório do ge, a dívidas trabalhistas acumuladas são superiores a 140 processos, totalizando mais de R$ 30 milhões em passivos. Embora a diretoria esteja empenhada em levantar cada caso para iniciar o pagamento gradual, ainda não há perspectiva fácil para saldar esses débitos sem a recuperação esportiva que garanta maior receita.
O presidente Marcos Vilela afirma que o clube está atento à situação e que buscará recuperar seu prestígio, apontando que “quanto mais o América crescer e subir de divisão, mais recursos vão entrar, facilitando a negociação e quitação das dívidas com os credores”.
A difícil manutenção do Teixeirão, um estádio gigante com renda quase inexistente
O estádio Benedito Teixeira, com capacidade indicada entre 32 e 55 mil lugares, é considerado o segundo maior estádio do interior de São Paulo e já sediou jogos históricos, inclusive de grandes clubes paulistas e da Seleção Brasileira. Entretanto, atualmente, o local recebe menos de um jogo oficial por mês do América-SP e, em alguns momentos, foi usado por times de futebol americano locais.
A manutenção do estádio custa cerca de R$ 50 mil por mês, totalizando quase R$ 600 mil anuais, enquanto a arrecadação com bilheteria está muito abaixo das necessidades. Na temporada de 2024, o clube registrou média de apenas 602 pagantes por partida em casa, acumulando prejuízo financeiro.
Em 2013, a Justiça do Trabalho chegou a penhorar o estádio com avaliação inicial em R$ 35 milhões para leilão, mas o imóvel não teve interessados nas tentativas realizadas, e o clube argumenta que seu valor real no mercado imobiliário pode ultrapassar os R$ 400 milhões. A administração atual sonha em transformar o Teixeirão em uma arena multifuncional para maximizar sua utilidade.
Rivalidade e perspectivas com o vizinho Mirassol que ascende no futebol paulista
O Mirassol, clube a apenas 22 km do América-SP, profissionalizado desde os anos 1950 e com ascensão recente, tem conquistado espaços no futebol paulista e nacional, indo estrear na Libertadores. Apesar da proximidade, não há negociação formal para o uso do Teixeirão para jogos do Mirassol em fases decisivas, que preferem mandar jogos maiores no Pacaembu.
Em confronto histórico, América e Mirassol se enfrentaram 13 vezes, com vantagem do América-SP em vitórias, mas o último duelo oficial ocorreu em 2009. O atual presidente do América reconhece a importância da história do clube e afasta a ideia de ser um “primo pobre” perante a rivalidade, destacando a posse do estádio próprio como ativo fundamental para o futuro.
Embora ambos os clubes tenham destinos distintos hoje, o América-SP mantém a esperança de reconstruir seu prestígio e evitar ficar estacionado nas últimas divisões, superando as dificuldades financeiras e judiciais, para um dia retornar à elite do futebol paulista.
Fonte das informações: ge