Cortes de Juros à Vista: Como Preparar Sua Carteira de Investimentos e Blindar Seu Dinheiro em 2024

A expectativa de corte na taxa Selic abre um novo capítulo para investidores. Entenda como se antecipar e otimizar seus ganhos com a renda fixa.

O cenário econômico brasileiro aponta para uma tendência de queda na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 15% ao ano. Analistas e bancos projetam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciará o ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2024, com a maioria das apostas concentrada em março.

Essa perspectiva de juros menores impulsiona a necessidade de investidores revisitarem suas estratégias de alocação em renda fixa. Preparar a carteira agora pode significar aproveitar ao máximo as oportunidades que surgirão com a redução da Selic, potencialmente superando o desempenho de outros ativos.

Fatores como incertezas geopolíticas globais, a condução das contas públicas no Brasil e a política monetária nos Estados Unidos influenciam a cautela do BC. No entanto, a projeção do Boletim Focus, divulgada semanalmente pelo BC, indica que a Selic pode encerrar o ano em 12,25%, uma redução significativa.

Diante desse panorama, a diversificação em ativos de renda fixa se torna um movimento estratégico. Conforme informação divulgada pelo g1, com base em estudos da XP Investimentos, períodos de queda de juros historicamente favorecem títulos prefixados e aqueles indexados à inflação (IPCA+), apresentando desempenho superior ao CDI.

Renda Fixa: Prefixados e IPCA+ como Protagonistas na Queda de Juros

Títulos prefixados oferecem a vantagem de ter uma taxa de rendimento definida no momento da aplicação, permitindo ao investidor ter clareza sobre o retorno futuro. Já os títulos indexados à inflação garantem que o investidor receberá a variação da inflação mais uma taxa fixa, protegendo o poder de compra.

Um estudo da XP Investimentos, analisando ciclos de cortes de juros desde 2005, revelou que o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início da queda da Selic, enquanto o CDI (IMA-S) registrou 10,7% no mesmo período. Essa diferença demonstra o potencial de valorização desses ativos.

Adicionalmente, o relatório aponta que, para cada ponto percentual de queda na Selic, títulos atrelados à inflação de curto prazo podem se valorizar em média 0,40%, e os prefixados em 0,50% no mesmo mês. Esses dados reforçam a importância de incluí-los na estratégia.

Diversificação Inteligente: O Equilíbrio na Carteira de Investimentos

A recomendação dos especialistas é rebalancear o mix de indexadores da carteira, combinando ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados. A estrategista da XP, Sá, destaca que o CDI, por exemplo, ainda tem seu papel, especialmente em cenários de cortes menores de juros, oferecendo menor volatilidade.

O objetivo é atingir um maior equilíbrio na carteira através da diversificação de indexadores. Essa abordagem visa mitigar riscos e otimizar retornos em diferentes cenários econômicos, garantindo uma proteção mais robusta ao patrimônio do investidor.

Planejamento Estratégico: Os Três Pilares de uma Carteira de Sucesso

Carlos Castro, planejador financeiro certificado pela Planejar, ressalta que uma boa estratégia de investimentos deve ser construída sobre três pilares fundamentais, independentemente do ciclo econômico. O primeiro passo é definir o horizonte de tempo e separar os objetivos de curto, médio e longo prazo.

Com base no perfil de risco definido, o segundo pilar é a alocação estratégica da carteira entre renda fixa, renda variável, multimercados e ativos alternativos. Por fim, o terceiro passo é a escolha dos produtos financeiros específicos que comporão cada classe de ativo, alinhados aos objetivos e ao perfil do investidor.

Atenção ao Horizonte de Investimento e à Reserva de Emergência

Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter, alerta para a importância de alinhar o horizonte de investimento com a necessidade de liquidez, a fim de evitar prejuízos pela marcação a mercado. Títulos de longo prazo, como IPCA+ com vencimentos em 2035 ou 2045, só devem ser utilizados com recursos que não serão necessários no curto ou médio prazo.

A marcação a mercado é o cálculo do valor de um investimento como se ele fosse vendido no dia, sendo atualizado diariamente. Investidores que precisam resgatar esses títulos antes do vencimento podem ser forçados a vender com prejuízo, daí a importância de planejar o prazo.

É crucial separar os investimentos estratégicos da carteira daqueles destinados à reserva de emergência. Essa reserva deve ser alocada em ativos líquidos e conservadores, garantindo acesso rápido a recursos em imprevistos, enquanto os investimentos de longo prazo visam objetivos maiores e não demandam liquidez imediata.

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