Brasileiros gastam mais de US$ 21 bilhões no exterior em 2025, maior marca desde 2014
Os gastos de brasileiros em viagens internacionais atingiram um pico histórico em 2025, totalizando US$ 21,7 bilhões. Este valor representa um aumento significativo em relação aos US$ 19,7 bilhões registrados no ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, este é o maior patamar de gastos no exterior em 11 anos, superando marcas anteriores desde 2014.
Esse expressivo aumento nas despesas internacionais ocorreu em um cenário econômico favorável para o Brasil. O país vivenciou um aumento no nível de atividade econômica, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e elevação da renda da população. Paralelamente, a cotação do dólar apresentou uma forte desvalorização frente ao real.
A desvalorização da moeda americana em 2025 foi notável, com uma queda de 11,18% no Brasil. Essa é a maior retração do dólar em quase uma década, o que tornou itens como passagens aéreas, hospedagens e compras no exterior mais acessíveis para os brasileiros. A influência da moeda estrangeira em serviços e produtos é direta, tornando viagens mais vantajosas quando o dólar está em baixa.
Apesar do cenário propício, os gastos de brasileiros no exterior avançaram mesmo com o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio, implementado em maio de 2025. A elevação da alíquota encareceu a compra de moeda estrangeira, mas não foi suficiente para frear o ímpeto dos viajantes brasileiros. As informações foram divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira (26).
Dólar em Queda e IOF em Alta: Um Cenário de Contradições para o Turista Brasileiro
O ano de 2025 foi marcado por uma forte desvalorização do dólar no cenário internacional e nacional. No Brasil, a moeda norte-americana recuou 11,18% em relação ao real, configurando o maior recuo em quase 10 anos. Essa queda direta impacta o custo de viagens, tornando passagens, hotéis e despesas em geral mais baratas para quem utiliza o real.
No entanto, o governo brasileiro implementou um aumento no IOF sobre operações de câmbio em meados de maio de 2025. A alíquota para compra de moeda em espécie e remessas para contas no exterior saltou de 1,1% para 3,5%. Anteriormente, essas modalidades eram vantajosas para turistas, pois tinham um IOF menor que o do cartão de crédito, que também teve sua alíquota elevada para 3,5%.
Apesar da elevação do IOF, que visava desestimular a saída de moeda do país, os gastos de brasileiros no exterior continuaram a crescer. A combinação de uma economia doméstica mais forte, com aumento de renda, e um dólar mais barato prevaleceu sobre o custo adicional do imposto, demonstrando a resiliência da demanda por viagens internacionais.
Turismo Estrangeiro no Brasil Bate Recorde em 2025: Um Contraponto Positivo
Enquanto brasileiros exploram o mundo, o Brasil também celebrou um recorde no turismo receptivo em 2025. Os gastos de turistas estrangeiros no país somaram US$ 7,8 bilhões, superando o recorde anterior de US$ 7,34 bilhões registrado em 2024. A série histórica do Banco Central, iniciada em 1995, aponta para um desempenho notável do setor.
O Ministério do Turismo informou que o Brasil recebeu 9,29 milhões de turistas estrangeiros, o maior volume já observado. Esse fluxo impressionante equivale a quase três mil voos internacionais desembarcando em território brasileiro no período, evidenciando a crescente atratividade do país como destino turístico global.
O Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou a importância das parcerias para alcançar este marco. “Alcançar esse recorde só foi possível graças a uma parceria sólida e consistente entre Ministério do Turismo, Embratur e o trade turístico. Trabalhamos de forma estratégica para mostrar ao mundo a diversidade, a hospitalidade e o potencial do Brasil como um dos grandes destinos turísticos globais”, afirmou o ministro.
Balança Comercial e Contas Externas: Um Quadro Complexo para a Economia Brasileira
Apesar do aquecimento no turismo, as contas externas do Brasil apresentaram um desempenho misto em 2025. A balança comercial, embora tenha registrado um superávit de US$ 59,9 bilhões (metodologia do BC), apresentou uma redução em comparação com o saldo positivo de US$ 65,9 bilhões de 2024.
A conta de serviços, que engloba viagens internacionais, mostrou um déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, uma leve melhora em relação ao saldo negativo de US$ 55,2 bilhões do ano anterior. Já a conta de renda, que inclui lucros, dividendos e juros, manteve o resultado negativo em US$ 81,3 bilhões, sem variação em relação a 2024.
O aumento dos gastos de brasileiros no exterior, mesmo com o IOF mais alto, contribui para o déficit na conta de serviços. O cenário econômico geral, com a valorização do real frente ao dólar e o aumento do poder de compra dos brasileiros, impulsionou tanto as viagens internacionais quanto o turismo receptivo, gerando um dinamismo importante para a economia nacional.